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Brasil

Investigação em SP apontou ligação de Shimada com tráfico de drogas e fraude do INSS

Relatório aponta que empresas de Victor Shimada integravam estrutura usada para ocultar recursos de atividades criminosas

Redação Jornal de Brasília

03/07/2026 14h57

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ANDRÉ FLEURY MORAES E TULIO KRUSE
FOLHAPRESS


Uma investigação da Polícia Civil de São Paulo aponta que o empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada comandava uma rede de lavagem de dinheiro ligada ao tráfico de drogas conectada a uma cadeia de empresas envolvidas na fraude do INSS e na operação Carbono Oculto, que mirou a infiltração do PCC (Primeiro Comando da Capital) no ramo de combustíveis.

O caso, batizado de Operação Saturno, foi remetido à Justiça Federal em maio por “possível conexão probatória com investigações federais já em andamento pela aparente coincidência de investigados, estruturas empresariais, fluxos financeiros e mecanismos de lavagem de capitais”.

As descobertas foram encaminhadas todas à PF (Polícia Federal) e são parte da operação desta sexta que prendeu Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, secretária de Shimada, e mirou também o próprio empresário —ele está foragido.

A defesa de Shimada disse que deve se pronunciar mais tarde. A Folha de S.Paulo tenta localizar os advogados de Stella.

Na quarta, dois dias antes da operação, ambos foram alvo de sanções do governo dos Estados Unidos sob a alegação de que operam um esquema de lavagem de dinheiro do PCC.

A apuração que conecta Shimada a outras investigações começou em 2024 a partir da prisão de Alexsandro Freitas Faria, o “Leko”, com quem policiais apreenderam cerca de R$ 100 mil em espécie e outros itens supostamente associados ao tráfico de drogas.

Uma perícia feita no celular dele aparelho apontou, segundo a Polícia Civil, uma rede de lavagem de dinheiro com transações financeiras entre pessoas físicas e jurídicas, numa complexa teia que dificultava a rastreabilidade dos valores.

Nos meses seguintes, a investigação identificou fornecedores de drogas de Leko e, na sequência, os operadores financeiros que davam vazão ao dinheiro.

Foi quando o nome de Shimada apareceu, diz a polícia.

Ele surgiu no caso a partir do cruzamento de dados armazenados no celular de Leko com outras investigações em curso. Neste caso, a primeira ligação envolveu a Wave Intermediações, alvo de operação do Gaeco num inquérito que apura desvios no patrocínio da VaideBet ao Corinthians.

As investigações ligaram Shimada ao comando da Wave Intermediações, registrada em nome de terceiros, e conectaram-na à Victory Trading, uma microempresa que o empresário fundou em 2021. A Victory virou sociedade limitada em novembro de 2023 e alterou seu capital social de R$ 110 mil para R$ 30 milhões.

Foi justamente nesse período, de novembro de 2023 a março de 2024, que a empresa recebeu R$ 25 milhões da Wave Intermediações.

O relatório final sobre o caso diz que a atuação das empresas de Shimada se conecta também a cadeias de CNPJs envolvidos na fraude bilionária do INSS e à própria Operação Carbono Oculto.

Não há uma relação necessariamente direta, segundo os investigadores: a conexão se dá por meio de contas “bolsão” — isto é, empresas e contas usadas para receber valores de origem não apenas do tráfico de drogas, mas de qualquer outra atividade criminosa ou ilícita.

Segundo as investigações, parte dos operadores identificados na rede de Shimada aparece também na cadeia de empresas alvo de outras operações.

O próprio relatório final da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do INSS, por exemplo, cita a Victory e a Wave Intermediações como parte da teia para onde iam recursos desviados de aposentados e pensionistas.

A investigação da Polícia Civil de São Paulo aponta o nome de Shimada como parte de um dos núcleos do esquema.

Esse grupo ligado a ele, por sua vez, tem conexão com um outro núcleo que reúne empresas suspeitas de operar recursos oriundos da Arpar, ligada a Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, segundo a investigação.

O proprietário formal da Arpar, Rodrigo Moraes, foi preso em dezembro em outra investigação federal sobre o esquema.

O relatório final sobre a operação Saturno cita também uma ponte entre esse núcleo e a Wise Tech, que faz parte da teia de empresas investigadas na Carbono Oculto. Investigadores dizem haver conexão entre ela e um empresário envolvido na operação.

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