Jornal de Brasília

Informação e Opinião

Brasil

Governo anuncia parceria com Musk para conectar Amazônia

A negociação animou grupos de extrema-direita, mais penalizados na plataforma por disseminarem conteúdo falso

Por FolhaPress 20/05/2022 5h15
Foto: Joe Skipper/

Paula Soprana
Porto Feliz, SP

Sem revelar valores ou assinar contratos, o governo brasileiro anunciou nesta sexta-feira (20) uma parceria com a Starlink, do bilionário Elon Musk, que deve colocar satélites de baixa altitude na Amazônia.

Em novembro do ano passado, o Ministério das Comunicações já havia divulgado esse potencial acordo e o chamado de parceria. É a terceira vez que a pasta se reúne com o dono da Tesla e da SpaceX.

Segundo Fábio Faria, ministro das Comunicações, os satélites podem ser lançados sobre a região amazônica “nos próximos meses”.

O lançamento de satélites de baixa órbita não depende de licitação e pode ser fechado por meio de um processo administrativo na Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações).

A SpaceX pediu licença para a autarquia no ano passado.

Musk se reuniu com Bolsonaro, Faria e os ministros general Heleno, Ciro Nogueira, Carlos França e Paulo Sérgio para tratar do assunto na Fazenda Boa Vista, um condomínio de luxo em Porto Feliz, no interior de São Paulo.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O bilionário almoçou com a comitiva presidencial e cerca de dez empresários no hotel Fasano da fazenda.

Ao final do evento, Bolsonaro e Faria falaram com jornalistas por 18 minutos. Eles descreveram como os satélites da Starlink podem auxiliar no monitoramento da Amazônia e mencionaram a conectividade das escolas -mas nenhuma estimativa foi levantada.

Segundo Bolsonaro, trata-se de um “namoro que vai acabar em casamento”.

O encontro estava previsto para março, mas foi postergado devido à Guerra da Ucrânia.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A Starlink tem autorização para colocar 40 mil satélites no mundo. Hoje, são 2.000 lançados a 550 quilômetros da Terra. O governo não disse qual a expectativa de satélites para o Brasil.

“O sonho dele é ajudar na educação, conectando escolas na zona rural. Mostrei fotos em aldeias indígenas bem distantes e ele disse ‘é isso que eu quero'”, afirmou Faria.

“Ele não criticou a Amazônia, como muitos fizeram sem conhecer. Em vez de criticar, ele veio aqui para somar”, acrescentou o ministro.

A viagem de Musk foi tratada com discrição por questões de segurança.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Bolsonaro afirmou que a vinda do bilionário ao Brasil é um marco e que a tecnologia vai mostrar como a Amazônia é preservada. Fábio Faria citou que os satélites da Starlink têm um laser capaz de detectar o barulho da serra elétrica.

O presidente ainda citou as riquezas minerais da região e o potencial de investimento em biodiversidade.
A Tesla, já avaliada em US$ 1 trilhão (R$ 4,9 trilhão) no mercado financeiro, fabrica carros 100% elétricos. A empresa usa baterias de ferro e lítio em seus carros.

Recentemente, o Brasil aumentou sua reserva para 8% na soma global. Faria disse que o lítio não foi citado nas conversas.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

“Obviamente falei com ele sobre bateria de nióbio”, disse Bolsonaro, acrescentando que um centro de pesquisa em Campinas está “aprofundando estudo para agregar grafeno e criar uma superbateria”.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

“Ele acha que é melhor esperar para investir”, acrescentou.

Bolsonaro também disse que a intenção de Musk para conectar a Amazônia com internet via satélite pode ajudar a mostrar a “verdade” sobre a região, referindo-se à preservação florestal, criticada durante seu mandato.

O ENCONTRO

O presidente chegou à fazenda Boa Vista às 10h33, desceu do carro e cumprimentou quase todos os policiais presentes que faziam a segurança no local.

O evento foi fechado e contou com alguns estudantes universitários, que fizeram perguntas para Musk. Ele chegou a São Paulo em seu jato às 9h.

Esse encontro foi transmitido por um assessor nas redes sociais. Em breve pronunciamento, o presidente chamou o bilionário de ‘mito da liberdade’.

“A compra do Twitter para nós aqui foi como um sopro de esperança”, afirmou o presidente, emendando que a “liberdade é a semente do futuro”.

Musk anunciou no fim de abril a intenção de comprar a rede social por US$ 44 bilhões (R$ 216,4 bilhões).

A negociação animou grupos de extrema-direita, mais penalizados na plataforma por disseminarem conteúdo falso em relação à saúde pública (como em vários episódios da vacina contra a Covid-19) e a processos eleitorais.








Você pode gostar