TULIO KRUSE
FOLHAPRESS
Empresas ligadas ao empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada, alvo de uma operação da Polícia Federal nesta sexta-feira (3), receberam ao menos R$ 27 milhões de uma firma suspeita de ligação com o tráfico de drogas na Baixada Santista, no litoral paulista. É o que diz um relatório feito pela Polícia Civil de São Paulo em maio que foi enviado à Justiça Federal.

Shimada foi alvo de sanções do governo dos Estados Unidos na última quarta-feira (1º) -assim como Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, presa pela PF nesta sexta- por suspeita de prestar serviços de lavagem de dinheiro à facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital).
Ele não foi encontrado nos endereços onde a PF cumpriu mandados de prisão. O advogado que defende o empresário disse à Folha que deverá se pronunciar após fazer uma reunião com seu cliente. Afirmou também que irá avaliar a possibilidade de ele se entregar às autoridades.
Na quinta (2), a defesa havia afirmado que Shimada negava categoricamente qualquer tipo de relação com organizações criminosas. A reportagem tenta localizar a defesa de Stella.
A investigação do caso começou em 2024, com a prisão em flagrante de Alexsandro Freitas Faria, conhecido como “Leko”, em 2024, com grande quantidade de drogas e R$ 100 mil em espécie.
A partir das informações no celular dele e de outros levantamentos, a polícia chegou a outros quatro suspeitos de fornecerem drogas, que também foram presos.
Um deles é Jean Carlos Guimarães de Araujo, o Mogli. “A análise das conversas, comprovantes, e demais dados extraídos apontavam que Mogli seria um dos principais fornecedores de entorpecentes para Leko, atuando também como intermediador de negociações, gestor de pagamentos e articulador logístico”, diz o relatório da Polícia Civil.
A polícia afirma que Mogli usava a empresa BSA Alimentos, com sede em São Paulo, “para recebimento de valores atinentes à transação financeira relacionada à comercialização de drogas via Pix”. Os indícios estão em conversas em aplicativos de mensagem encontrados pela investigação. A reportagem procura o contato das defesas de Leko, Mogli e da BSA Alimentos.
Shimada conecta-se ao esquema nesse ponto. A empresa Victory Trading, da qual ele é sócio-administrador, recebeu um total de R$ 25,4 milhões da BSA Alimentos entre novembro de 2023 e março de 2024.
Além disso, a empresa Wave Intermediações e Tecnologia também recebeu R$ 1,8 milhão da mesma BSA Alimentos.
Formalmente, Shimada não é sócio da Wave, mas outra investigação da Polícia Civil e do Ministério Público aponta que ele é o verdadeiro controlador dessa empresa, e que ele teria contratado um laranja -um motoboy- para figurar como representante.
Victory Trading e Wave já apareceram no inquérito que apurou supostas irregularidades no contrato de patrocínio do Corinthians com a casa de apostas VaideBet. As duas empresas vinculadas a Shimada teriam repassado mais de R$ 1 milhão à UJ Football, apontada como uma empresa que lava dinheiro do PCC no agenciamento de jogadores de futebol.
Essa acusação contra a UJ Football foi feita na delação premiada de Antonio Vinícius Lopes Gritzbach, morto a tiros de fuzil no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos.
Segundo o inquérito da Polícia Civil, há integrantes do PCC que participaram do esquema de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.
A Operação Exchange, da PF, cumpre 11 mandados de prisão temporária e 13 de busca e apreensão. Todos foram expedidos pela 7ª Vara Federal Criminal de São Paulo e miram endereços na capital paulista, em Santos, Praia Grande e em Santana de Parnaíba.
A decisão que decretou as prisões e autorizou as buscas decretou também o sequestro de bens, valores e criptoativos dos investigados até o valor de R$ 10,4 bilhões.
Segundo a PF, os suspeitos mantinham um sistema estruturado para a movimentação de recursos e operavam por meio de transferências ilícitas de criptoativos e outros meios, como a movimentação de recursos em espécie.