Por Artur Maldaner, Beatriz Vasconcelos e Giovanna Torres
Em uma sociedade que banaliza o termo “fake news”, é necessário entender o que exatamente é a desinformação. O argumento é da jornalista Patrícia Blanco, presidente do Instituto Palavra Aberta.
Na palestra de abertura do Intercom Centro-Oeste 2026, Patrícia explicou que existem diversos tipos de desinformação.
Entre elas, mensagens fora de contexto, a conexão falsa de informações e até sátiras podem ser confundidas com o que chamamos de “fake news”.
A palestrante defendeu que, na realidade, o termo popularizado está errado. “Se é fake news, então não é notícia. Notícia significa aquilo que é verdadeiro”, disse.
Segundo Patrícia, distinguir os termos é importante para trazer credibilidade à cobertura jornalistica. Ela mostrou, ainda, que o termo “fake news” pode ser utilizado para atacar o jornalismo crítico.
“Ao chamar os jornalistas americanos de ‘fake news’, o presidente Trump coloca a própria população em oposição aos jornais”, explica a jornalista.
De onde vem a desinformação?
Durante a palestra, Patrícia apontou razões para o atual aumento de conteúdo de desinformação. Segundo ela, esse crescimento pode ser explicado pela popularização das redes sociais. “Hoje qualquer um pode interagir diretamente com as massas”, disse.
Além disso, Patrícia destacou que a desinformação é movimentada pelos afetos da população. Ela dá como exemplo o Caso Orelha, que viralizou na internet brasileira e gerou uma onda de notícias falsas. Na visão da jornalista, conteúdos polêmicos são aqueles que mais movimentam a desinformação.
A professora e jornalista Cristiane Parente também palestrou e destacou a desinformação como um dos principais desafios da humanidade. Ela afirmou que o enfrentamento desse problema é uma responsabilidade compartilhada.

Segundo a professora, é necessário formar cidadãos capazes de identificar as intenções por trás dos conteúdos consumidos, além de desenvolver um olhar crítico sobre a informação. “Precisamos formar sujeitos capazes de perceber as intenções por trás de conteúdos e formar leitores críticos”, afirmou.
Supervisão de Luiz Claudio Ferreira