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Butantan entrega 1,1 milhão de doses e paralisa produção

Instituto espera que a China envie mais IFA para continuar a produzir a Coronavac no Brasil

Foto: Divulgação/Governo de São Paulo

O Instituto Butantan-SP entrega ao governo federal, nesta sexta-feira (14), 1,1 milhão de doses da Coronavac. Este é o último lote de vacinas feitas a partir do ingrediente farmacêutico ativo (IFA) recebido em abril deste ano.

Agora, o Butantan teve de paralisar a produção por falta da matéria-prima para a produção do imunizante. O instituto espera que o governo da China libere um lote com 10 mil litros de IFA para retomar os trabalhos.

Os entraves entre Brasil e China têm ocorrido após declarações do presidente Jair Bolsonaro. Há cerca de duas semanas, Bolsonaro fez ataques aos chineses e insinuou que o país produziu o vírus e estaria lucrando com isso. A China fornece matéria-prima para o Butantan e também para a Fiocruz, que fabrica a vacina de Oxford/AstraZeneca.

A Fiocruz, no entanto, anunciou que, no próximo dia 22, vai receber uma remessa de IFA. Outra está prevista para chegar no dia 29.

Devido à falta de vacinas da Coroanvac, pelo menos 15 estados do país já suspenderam a aplicação da primeira ou da segunda dose do imunizante por falta de vacina. Atualmente, o Brasil utiliza a Coronavac, a AstraZeneca e a Pfizer para imunização da população. A Pfizer, no entanto, só é usada em capitais e voltada para pessoas com comorbidades.

“Não temos autorização”

Em entrevista à Rádio Eldorado, o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, afirmou que a China deve responder até esta sexta-feira, 14, se enviará a matéria-prima contratada para permitir a retomada da produção da Coronavac no Brasil. Na quarta-feira, 12, o governo paulista se reuniu com autoridades chinesas para alinhar o cronograma. A logística de entrega do IFA está paralisada desde abril, após novos ataques do governo Bolsonaro ao país.

O presidente do Butantan afirmou que o último lote de vacinas será entregue nesta sexta-feira: “São insumos que já deveriam estar aqui em solo brasileiro, por que nesse momento não temos matéria-prima para continuar a produção”.

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“Nesse momento, não temos autorização do governo da China para importar as vacinas da China. Estamos com intensas negociações com a embaixada aqui no Brasil e com o governo da China através da embaixada brasileira em Pequim.”

Segundo Dimas Covas, os papéis que autorizam a importação ainda não foram assinados, mas “o embaixador chinês prometeu resposta ao governador Dória ainda nessa semana”.






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