O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes deu 48 horas para que o ex-presidente Jair Bolsonaro diga se autorizou ou não o uso de um avatar dele feito com inteligência artificial na convenção do PL no sábado (24). Se Bolsonaro disser que autorizou, terá cometido uma irregularidade por ter desobedecido as restrições impostas a ele em prisão domiciliar.
Se disser que não autorizou, a irregularidade terá sido cometida pelo PL e por seu filho, o candidato do partido à Presidência, Flávio Bolsonaro. De qualquer modo, essa discussão estabelecerá novo patamar sobre o uso de inteligência artificial nas campanhas. Mas esse pode não ser o maior risco com relação a essas novas ferramentas tecnológicas na política.
O maior risco é o uso dessa inteligência artificial nas redes sociais. São o que o presidente do Instituto Brasileiro pela Regulamentação da Inteligência Artificial (IRIA), Marcelo Senise, chama de “neurobots”. Tratam-se de robôs capazes de interagir com as pessoas como se fossem seres humanos. Eles respondem, retrucam, argumentam. E vão levando as pessoas a acharem que estão conversando com outras pessoas. Assim, eles vão convencendo as pessoas e estabelecendo falsos consensos. Por sua capacidade de interação, podem acabar decisivos no voto. Esse é o grande risco. Como mostra Rudolfo Lago no JBrNews de hoje.