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Rio, campeão de demitir técnicos, vê dois ex-treinadores brilharem muito na França

Filipe Luís e Davide Ancelotti, filho de Carlo Ancelotti, fazem agora sucesso na França, comandando Monaco e Lille, respectivamente

Marcondes Brito

15/09/2026 5h56

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O futebol carioca ganhou mais um motivo para refletir sobre a histórica falta de paciência com treinadores. Dois técnicos que deixaram recentemente clubes do Rio, Filipe Luís e Davide Ancelotti, filho de Carlo Ancelotti, fazem agora sucesso na França, comandando Monaco e Lille, respectivamente.

Filipe Luís, que acumulou títulos e viveu uma passagem vitoriosa pelo Flamengo, deixou o clube apesar do bom trabalho. Davide Ancelotti teve trajetória bem mais curta no Botafogo e acabou demitido após uma passagem considerada razoável. Na França, os dois conseguiram espaço para desenvolver seus trabalhos e aparecem em destaque, inclusive na disputa com o poderoso PSG.

O contraste fica ainda maior quando se olha para um levantamento do jornalista e estatístico Rodolfo Rodrigues sobre as trocas de treinadores no futebol brasileiro neste século. De 2001 a 2026, os quatro clubes que mais mudaram de técnico são justamente os quatro grandes do Rio de Janeiro.

O Vasco lidera disparado, com 58 trocas e 42 treinadores diferentes. O Flamengo aparece logo depois, com 55 mudanças e 39 profissionais. O Botafogo soma 48 trocas, envolvendo nada menos que 44 técnicos diferentes, enquanto o Fluminense completa o quarteto carioca, com 46 mudanças e 31 treinadores.

Depois deles aparecem Atlético-MG e Cruzeiro, ambos com 45 trocas, Internacional, com 43, Santos, com 42, Corinthians, com 40, Grêmio, com 33, São Paulo, também com 33, e Palmeiras, com 31.

Os números ajudam a explicar uma característica antiga do futebol brasileiro, especialmente acentuada no Rio: o treinador quase sempre é o primeiro a pagar pela pressão por resultados imediatos. Filipe Luís e Davide Ancelotti acrescentam agora um ingrediente curioso a essa história. Saíram de dois dos clubes que mais trocam de comando no país e encontraram na França o ambiente para mostrar que, às vezes, o problema pode não estar apenas no banco de reservas.

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