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Economia

Dólar recua com manutenção dos juros nos EUA; Bolsa cai com petróleo em alta

Por volta das 15h28, a moeda norte-americana recuava 0,12%, cotada a R$ 5,115. No mesmo horário, a Bolsa recuava 1,10%, aos 174.617 pontos

Redação Jornal de Brasília

29/07/2026 15h19

dolar e bolsa

Foto: AdobeStock

FOLHAPRESS

O dólar cai nesta quarta-feira (29) após o Fed (Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos) decidir manter a taxa de juros do país na faixa de 3,50% a 3,75% pela quinta reunião consecutiva.

A manutenção dos juros, diante das expectativas de parte do mercado por uma alta, favoreceu o apetite por risco e reduziu a busca por ativos considerados mais seguros.

Por volta das 15h28, a moeda norte-americana recuava 0,12%, cotada a R$ 5,115. No exterior, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, caía 0,27%.

No mesmo horário, a Bolsa recuava 1,10%, aos 174.617 pontos, pressionada principalmente pelas ações do setor bancário.

Na tarde desta terça, o Fed decidiu manter a taxa de juros dos EUA, mencionando um cenário inflacionário incerto com a guerra do Oriente Médio. Três dos 12 membros do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) votaram por um aumento de 0,25 ponto percentual.

Em comunicado da decisão, a instituição afirmou que a decisão acontece pela atividade econômica continuar se expandindo em ritmo sólido, decorrente, em parte, do conflito no Oriente Médio.

“A inflação segue elevada em relação à meta de 2% do Comitê, refletindo, em parte, choques de oferta que impulsionaram os preços em alguns setores, incluindo o de energia. O Comitê está comprometido em assegurar a estabilidade de preços”, diz o Fed.

O cenário já era precificado por analistas do mercado financeiro. Segundo o FedWatch, do CME Group, o cenário mais provável para a decisão desta quarta era manutenção da taxa de juros na faixa de 3,50% a 3,75%.

Havia, contudo, um temor de alta. Segundo analistas consultados, havia 36% de chance do juros do país aumentar para o intervalo entre 3,75% e 4%.

“As Bolsas americanas se recuperavam das mínimas do dia após a decisão de manutenção, já que as expectativas estavam divididas, com probabilidade razoável de alta”, diz Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad.

Para Vinicius Flores, gestor de investimentos e fundador da Stratton Capital, a manutenção das taxas, dentro do esperado, favorece os ativos de risco. “O dólar recuou contra uma cesta de moedas e perdeu força também contra o real, reforçando a leitura de que, enquanto o Fed optar por não apertar, os ativos emergentes devem ganhar espaço”.

Nos Estados Unidos, as Bolsas diminuíram as quedas após a decisão. O S&P 500, o Dow Jones e o Nasdaq recuavam 0,66%, 1,48% e 0,16%, respectivamente.

A manutenção dos juros nos EUA acontece em meio à expectativa de uma redução da Selic na reunião do Banco Central brasileiro, marcada para a próxima semana.

Na última terça-feira (28), o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica) divulgou que o IPCA-15 desacelerou para 0,06% em julho, após registrar alta de 0,41% em junho. No acumulado de 12 meses, o indicador foi a 4,52% até julho.

O IPCA-15 é considerado uma prévia do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), indicador oficial da inflação. Calculado com base em uma coleta antecipada de preços, ele costuma sinalizar a tendência do índice cheio.

As métricas são acompanhadas pelo Banco Central. A autarquia persegue uma meta inflacionária de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para baixo e para cima. Apesar da trégua, o IPCA-15 veio acima do teto de 4,5% da meta.

O próximo encontro do colegiado do Banco Central será nos dias 4 e 5 de agosto para definir o patamar da taxa básica de juros, a Selic, que está em 14,25% ao ano.

Para o economista Rafael Rondinelli, da Mag Investimentos, o IPCA-15 não altera a visão de um cenário inflacionário que segue pressionado no país., mas “reforça a projeção de corte de juros pelo Copom na reunião da próxima semana”.

Caso se confirmem, o corte na Selic e a manutenção da taxa de juros dos EUA diminuem a atratividade da estratégia “carry trade” —estratégia em que investidores captam recursos em economias de taxas baixas, como a americana ou a japonesa, e aplicá-los aqui, para rentabilizar sobre essa diferença percentual.

O mercado também repercute novas ofensivas entre EUA e Irã no Oriente Médio. Na noite de terça, múltiplos mísseis balísticos foram lançados contra forças americanas na região em uma “tentativa de ataque surpresa”, de acordo com o Comando Central das Forças Armadas Americanas (Centcom).

Nesta quarta, os Estados Unidos retaliaram. Os militares do país, em conjunto com Forças da Árabia Saudita, lançaram ataques contra grupos apoiados pelo Irã no Iraque. As Forças de Mobilização Popular do Iraque, apoiadas por Teerã, afirmaram que ao menos 20 de seus integrantes morreram e 32 ficaram feridos nos bombardeios.

A retomada de ataques impacta as cotações do petróleo. Por volta das 15h30, o contrato de setembro do barril Brent, referência mundial da commodity, avançava 8,09%, a US$ 90,93.

A tensão no conflito internacional pressiona os ativos domésticos. A guerra interrompe a circulação no estreito de Hormuz, via marítima responsável por 20% de todo o petróleo e gás natural produzidos no mundo. Com o transporte das commodities estrangulado, investidores têm temido um repique inflacionário global.

Por aqui, o setor bancário era o principal destaque negativo do dia, com o Santander liderando as perdas. As ações da instituição financeira recuavam mais de 6% após a divulgação de uma queda no lucro do segundo trimestre.

O banco foi pressionado pela inadimplência dos clientes e registrou lucro líquido gerencial de R$ 3 bilhões, baixa de 17,6% em relação ao mesmo período de 2025. Analistas consultados pela Bloomberg projetavam ganho de R$ 3,723 bilhões.

Na contramão, a Petrobras era impulsionada pela alta do petróleo. As ações da estatal avançavam mais de 2%.

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