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Futebol

Violência nos Estádios: Paraíso dos fora-da-lei

Arquivo Geral

25/03/2014 8h30

As cenas de provocações mútuas, que por pouco não resultaram em uma briga generalizada entre as torcidas de Gama e Brasiliense no último domingo, reforçam o crônico e ainda sem perspectivas de melhora problema do futebol: a violência nos estádios aliada a impunidade aos envolvidos. 

A mais de 1.000 km do Bezerrão, outro triste episódio ocorria às margens da Vila Belmiro, com confronto entre torcedores do Santos e do Palmeiras, na última rodada do Campeonato Paulista. 

Os confrontos entre torcidas organizadas não são o único entrave nos estádios. Os casos de racismo também são marcantes e, assim como os de agressões, quase nunca possuem punição adequada.

Ontem, por exemplo, a Conmebol puniu o Real Garcilaso, do Peru, com irrelevantes multa de US$ 12 mil (R$ 27,8 mil) e uma advertência devido às ofensas racistas proferidas pelos seus torcedores contra o volante Tinga, do Cruzeiro, em 12 de fevereiro. 

Também neste ano, o árbitro Márcio Chagas da Silva, da Federação Gaúcha de Futebol, e o volante Arouca, do Santos, sofreram racismo em campos brasileiros. A presidente Dilma Rousseff chegou a convocá-los para uma reunião de apoio, pipocaram campanhas de solidariedade nas redes sociais, mas a punição, mais uma vez, deixou a desejar. 

As medidas a serem tomadas diante de casos de violência e racismo são muitas, mas até o momento, pouco efeito prático foi visto.

Engravatados tentam encontrar a solução

Para o presidente da Comissão Especial de Direito Desportivo da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Dr. Tullo Cavallazzi Filho, extinguir as torcidas organizadas não é a solução mais inteligente. “Não vejo o simples impedimento das torcidas organizadas como uma solução definitiva. O CNPJ deles vai ser cassado, a sede vai ser fechada, mas os mesmos membros que faziam bagunça antes vão continuar se reunindo para fazer churrasco e beber antes da partida e continuar causando transtornos nos estádios da mesma forma”, opina.

Sobre o problema do racismo, o Dr. Cavallazzi cita o mecanismo presente no Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD) para que punições exemplares sejam aplicadas. “No CBJD já há, no artigo 243-G, medidas de punição a casos de racismo. O que nós podemos fazer é cobrar a punição, e que seja uma punição exemplar, porque casos de racismo são deploráveis.”

Audiência na Câmara

Presidente da Comissão do Esporte da Câmara dos Deputados, o deputado Damião Feliciano (PDT/PB) diz que a casa está empenhada em acabar com os casos de racismo no futebol. “Houve uma audiência pública recentemente e posso dizer que estamos trabalhando por isso (o fim do racismo no futebol). Vamos fazer campanhas conscientizadoras que vão passar pelos meios de comunicação da Câmara dos Deputados e também pelas federações locais de futebol. Entre as medidas que podem ser tomadas, estão a interrupção e até mesmo a suspensão da partida caso o árbitro perceba um sinal claro de racismo”, aponta.

Goleiro lamenta bombas

Na partida de domingo entre Brasília e Brasiliense, a Polícia Militar utilizou uma bomba de efeito moral para dispersar os torcedores mais exaltados do Jacaré. A explosão da bomba fez com que um pedaço de uma das cadeiras caísse no gramado, próximo à meta defendida pelo goleiro Artur, do Brasília. 

O arqueiro afirma que estava focado na partida, mas que se assustou com o barulho. “Foi muito complicado. Claro que a gente fica muito focado no jogo e, na hora, nem vi onde tinha explodido a bomba. Só fui notar quando virei para o lado e vi a ponta da cadeira perto de mim. Acho que a polícia tem que se preparar melhor porque não se pode explodir bombas nessas ocasiões até porque tinha muita criança e família no jogo”, afirma.

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