O nome é Mineirão, mas, ontem, ele bem que poderia usar o pseudônimo “Brasileirão”. As mais de 50 mil pessoas
de verde e amarelo que estiveram presentes no estádio representavam os 200 milhões que pararam para ver a seleção na situação mais dramática permitida pelo futebol: a disputa por pênaltis.
de verde e amarelo que estiveram presentes no estádio representavam os 200 milhões que pararam para ver a seleção na situação mais dramática permitida pelo futebol: a disputa por pênaltis.Diante de uma imensurável pressão, um entre os milhares presentes fez o favor de não se manter inerte. Julio César Soares Espíndola, que há quatro anos “vivia o pior momento da vida” ao falhar em lance capital na eliminação do Brasil da Copa da África do Sul, conquistou sua redenção de forma espetacular.
Com duas defesas nos cinco pênaltis batidos pelo Chile, ele foi erguido pelas vozes da torcida e pelos braços dos companheiros ao garantir a classificação do Brasil às quartas de final.
O que ele não conseguiu segurar foi o choro. “Você sair da uma Copa como o vilão… Nada é por acaso. Desculpa se eu falar bastante, mas é realmente difícil resumir quatro anos”, emocionou-se o goleiro brasileiro.
Antes de trocar o rótulo de vilão pelo de herói, ele havia mexido com o emocional de todo o estádio.
A cobrança de pênaltis nem havia começado, e Julio chorava copiosamente. “O choro é fácil falar. Nunca escondi que sou um cara emotivo. O choro foi porque vários jogadores chegaram para mim e falaram coisas bacanas. Eu não consegui segurar”, revelou.
De vaias a aplausos
O tempo entre as lágrimas e a primeira cobrança defendida por ele não passou de cinco minutos. Mas foi o suficiente para se recompor. Quem o vaiou há quatro anos, desta vez encheu o peito para ecoar no Mineirão “Ah, é Julio César”.
Ao fim de 120 minutos, mais dez cobranças de pênaltis, o Mineirão por pouco não virou um Mineirazzo. Mas, para o bem do País, terminou o dia como o “Brasileirão”.
Júlio César tem 83 partidas com a camisa da seleção brasileira. A de ontem certamente entrou para uma das mais marcantes. Curiosamente, o ano de 2010, que “manchou” a sua carreira, foi também o de maior destaque pela Inter de Milão, quando conquistou a tríplice coroa ( Liga dos Campeões, Copa da Itália e Campeonato Italiano).