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Futebol

Tiro no próprio pé: intolerância e vandalismo rompem relações

Arquivo Geral

04/02/2014 9h25

Nos últimos anos, as torcidas organizadas, antes vistas como essenciais nas arquibancadas, têm trazido diversos problemas para os  seus clubes. Violência nos estádios, mortes por brigas generalizadas e tentativas de agressão a jogadores têm sido algumas das situações que têm feito com que os clubes rompam de vez a relação.

Ainda no início dos anos 2000, a prática de pagar viagens, abrir as portas para o diálogo e o repasse de ingressos dos jogos para essas torcidas eram bem comuns. Entretanto, aos poucos, o ato está cada vez mais combatido. O exemplo mais emblemático do fechamento das portas às organizadas ocorreu com o Cruzeiro. O time mineiro vetou os grupos uniformizados de usarem o emblema do clube.

 “O Ministério Público proibiu a Máfia Azul e a Pavilhão Independente de irem aos estádios até maio deste ano, após o conflito entre as duas na festa do título. O Conselho Deliberativo aprovou e eles não utilizam a marca Cruzeiro”, explicou a assessoria do clube.  Os mineiros foram o segundo a explicitar o corte de relações com sua torcida. O Palmeiras, no ano passado, após ver seus jogadores agredidos em um aeroporto, foi o primeiro.

O  Jornal de Brasília foi atrás das 12 principais agremiações brasileiras para entender como andam as relações entre torcida e organizada e clubes de forma oficial. Alguns mascaram a situação, outros são claros na “nova relação” com seus torcedores. (ver quadro abaixo.)

Com os novos investimentos em programas de sócios-torcedores, a maioria dos times nega envolvimento com as uniformizadas. Alguns, porém, confessam manter conversas amigáveis e até outros tipos de auxílio. “Ajudamos (financeiramente) duas escolas de samba. Temos uma relação amistosa, mas com responsabilidade. Cobramos deles o comportamento. Até o momento tem ido tudo bem”, disse Odílio Rodrigues, presidente do Santos.

 

Invasão vira caso de polícia

A invasão de mais de 100 torcedores do Corinthians ao CT Joaquim Grava deixou o presidente Mário Gobbi irritado. Em entrevista coletiva na manhã de ontem, Gobbi lamentou o ocorrido na manhã do último sábado, confirmou que vai reunir provas e depoimentos para abrir inquérito policial e chamou de crime a atitude dos organizados, que ameaçaram funcionários, foram atrás de jogadores e roubaram três celulares.

“Vamos redigir uma solicitação de apuração dos fatos em inquérito policial, uma vez que isso tudo configura alguns crimes: furto, ameaça, lesão corporal, etc. Nosso jurídico vai cuidar disso, e quando tudo ficar pronto, nós avisaremos”, disse.

Gobbi negou que o clube tenha relação com as torcidas organizadas. –Eu não tenho relação, a diretoria do Corinthians não possui relação com organizadas. O máximo que fizemos não mais que duas vezes foi dialogar com as lideranças sobre questões que eles queriam saber. Até ai é o limite da civilização. Passou daí, acabou”.

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