Roberto Wagner,
enviado especial
roberto.wagner@jornaldebrasilia.com.br
Com requintes de crueldade. Assim pode ser definida a derrota do Brasil para a Alemanha, que tirou de milhões de brasileiros o sonho de conquistar o hexacampeonato dentro de casa.
Não bastasse aos 28 minutos do primeiro tempo a histórica goleada já estar consumada por 5 x 0, o veterano Miroslav Klose escolheu o estádio Mineirão, na semifinal, para deixar Ronaldo para trás e se tornar o maior artilheiro da história da Copa, com 16 gols.
Mas ainda havia muito mais tempo para completar o dia de horror vivido pela seleção brasileira. O gol de Schurrle, o sexto da impiedosa Alemanha, foi o de menos.
As falhas foram grandes também fora de campo. Enquanto o baile rubro-negro era consumado, nas arquibancadas o espírito esportivo também dava adeus.
Não foram poucos os focos de confusão envolvendo exclusivamente os brasileiros. A cada minuto, a maior movimentação nas cadeiras era dos seguranças da Fifa.
Há esperança
Na frieza dos números, como tudo visto ontem no Mineirão, não passa de futebol, ainda há esperança para o Brasil e seu povo. O segundo gol de Schurrle, aplaudido de pé por torcedores de amarelo, de rubro-negro e de branco mostrou isso.
A selvageria de alguns foi substituída pela consciência perfeita daqueles que sabem reconhecer quando um adversário é superior e merece mais do que o outro chegar mais longe.
Os alemães, com toda a frieza e a técnica de Kroos, Ozil, Schweinsteiger, Khedira e Klose, seguem para o Rio de Janeiro, palco da final da Copa do Mundo 2014, local onde os quase cinco mil alemães presentes no Mineirão fizeram questão de cantar que irão para lá. O Brasil segue para Brasília, onde terá de brigar pelo orgulho ferido do brasileiro e, qualquer seja o adversário, conquistar o terceiro lugar do Mundial.
A tirar pela despedida de ontem, não vai ser nada fácil. Ao aplaudir os torcedores, os jogadores receberam uma dolorida vaia.