O técnico da seleção Uruguai Óscar Tabárez falou pela primeira vez sobre o caso Luís Suárez, em que o jogador foi punido com nove jogos de suspensão, além de quatro meses sem poder entrar em ambientes de futebol por conta da possível mordida do jogador em um adversário.
Para o treinador, a medida adotada pelo Comitê Disciplinar da Fifa foi exagerada. “Nós sabíamos que o Suárez poderia ser punido, mas quando a decisão chegou acreditamos que ela foi muito severa”, disse.
Tabárez ainda disparou contra o órgão responsável pela punição. “Essa decisão está muito mais ligada a opiniões expressas pela mídia, que só falou disso depois do jogo. Vendo as imagens depois, entendemos que os dois poderiam ser expulsos, mas não aconteceu. Agora eu pergunto: Quem é que ganhou e quem é que perdeu com essa decisão?”, disse.
O treinador acredita haver uma espécie de complô contra Suárez. “Querem transformar ele em bode expiatório. Querem educar através dele, mas não acho que tenha que ser assim. Antes dessa situação, outros casos aconteceram na Copa do Mundo, mas não tiveram avaliações desse tipo. Houve omissão da Fifa”, condenou Tabárez, que também renunciou a um cargo que tinha na comissão de estratégia da entidade.
“Sou defensor do ‘fair play’, e já recebi prêmios até na Fifa por isso. Eu tenho uma história grande na entidade, onde ministrei aulas, participei de congressos, fui tutor, mas agora sinto que devo deixar esse cargo. Não é prudente estar em uma organização que exerce esse tipo de pressão, e mediram valores para tomar essa decisão”, disse.
Na entrevista coletiva oficial para a partida diante da Colômbia, Tabárez não respondeu às perguntas dos jornalistas, mas prestou apoio ao jogador: “Ele passará por essa fase novamente, vai sair dessa. Nós, uruguaios, vamos superar isso”.