Revelado pelo São Paulo, em geração conhecida como Menudos do Morumbi – alusão ao grupo musical portorriquenho que fez sucesso na década de 1980 –, o meia Silas não eternizou seu nome apenas em solo brasileiro. O atual comandante da Portuguesa é ídolo e considerado um dos melhores camisas 10 que já defendeu o San Lorenzo-ARG, finalista inédito da Copa Libertadores da América e conhecido mundialmente por contar com a torcida de uma ilustre personalidade: o Papa Francisco.
Em abril de 1995, Silas chegou com bagagem e experiência a Buenos Aires, após passagens por Portugal, onde atuou pelo Sporting Lisboa, Itália, país em que vestiu as cores de Cesena e Sampdoria, e Japão, onde defendeu, ainda que discretamente, o Kashiwa Reysol, dirigido atualmente por Nelsinho Baptista. Na contramão da cultura argentina, que exporta enganches (meias de criação) para terras tupiniquins, o paulista de Campinas teve que driblar, de início, a desconfiança portenha para se consolidar e ostentar o número mais simbólico do futebol. Teve êxito.
Pelo Ciclón, atuou até 1997. Além dos 24 gols em 95 aparições, o jogador conquistou um dos títulos mais importantes de sua carreira: o Torneio Clausura de 1995, sob o comando de Héctor Veira. Com uma campanha de 14 vitórias, dois empates e três derrotas, o clube azul e grená ficou um ponto a frente do Gimnasia La Plata e levantou o troféu, encerrando um jejum que durava 22 anos.
O legado que o atleta deixou no San Lorenzo o fez criar e manter uma grande amizade com Marcelo Tinelli, celebridade da televisão local e atual vice-presidente do clube. “Converso com ele todos os dias. É um amigo bem próximo. Inclusive me convidou para assistir à final, no dia 13, no estádio Nuevo Gasómetro. Porém, com o novo compromisso (comando da Lusa), não tem como”, discorreu.
Ao recordar a proximidade com Tinelli, Silas expôs o sucesso do amigo em toda a Argentina e detalhou uma passagem curiosa, ocorrida após o título do Clausura. “Naquela época, ele tinha um programa chamado Ritmo de la Noche, de caráter humorístico. Era a atração mais vista no país todo, e chamava bastante a atenção pelas ‘pegadinhas’. Em rede nacional, ele nunca deixou de esconder o fanatismo pelo San Lorenzo. Tanto que, depois que quebramos o jejum, ele foi de joelhos até a cidade de Lujan (província de Buenos Aires), onde havia uma igreja. O caminho era longo, mas ele prometeu e cumpriu”, revelou.
Na disputa da Libertadores, a camisa 10 do Ciclón pertence ao veterano Leandro Romagnoli, de 33 anos. Pelo clube, o experiente jogador possui em seu currículo um Torneio Clausura (2001) e uma edição do Torneio Inicial, em 2013. Porém, curiosamente, foi envolvido em uma polêmica recente com o Bahia. O argentino, também ídolo azul e grená, chegou a assinar um pré-contrato com o Esquadrão de Aço, onde disputaria o Campeonato Brasileiro deste ano. Entretanto, a classificação às semifinais o fez mudar de ideia e ignorar o vínculo.
Após a disputa da Libertadores, Romagnoli garante que se apresentará normalmente ao Tricolor de Salvador. Entretanto, o trato descumprido pode fazer com que a fama do enganche não seja nem comparável à atingida pelo vitorioso brasileiro, que um dia ostentou seu atual número e também fez a torcida azul e grená vibrar nos arredores de Flores.
Desde 2005, Marcelo Tinelli apresenta o programa Showmatch, no Canal 13 da televisão argentina. No show televisivo, um dos mais assistidos no território alviceleste, o vice-presidente do San Lorenzo mostra quadros de humor, e diversos reality shows. A competição de dança Bailando por un Sueño é o carro-chefe da atração, reunindo diversas celebridades do país vizinho.
Em maio de 2011, Tinelli recebeu em seu programa o craque brasileiro Ronaldinho Gaúcho. O jogador fez timídas embaixadas no começo de sua participação, mas depois protagonizou truques mais refinados com a bola, culminando em uma ‘caneta’ no apresentador. O dirigente cuervo tentou repetir o atleta, mas acabou caindo no palco, arrancando risadas de R10. Adiante, o meio-campista declarou ser torcedor do Boca Juniors, por sua idolatria a Diego Maradona, bem como a amizade com Juan Román Riquelme.
Além de Ronaldinho Gaúcho, a atração de Tinelli recebeu outras estrelas, como Pamela Anderson, Larissa Riquelme e os boxeadores campeões mundiais Mike Tyson e Sergio ‘Maravilla’ Martínez.