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Futebol

Santos quer ampliar Vila Belmiro para disputar decisões em casa

Arquivo Geral

06/08/2007 0h00

Marcelo Teixeira, presidente do Santos, entregou nesta segunda-feira ao prefeito do município, João Paulo Tavares Papa, o projeto que pretende transformar a Vila Belmiro em uma “La Bombonera” moderna. O clube tem a pretensão de possuir um dos melhores estádios do país, sem perder o aspecto de “caldeirão” que também caracteriza a casa do Boca Juniors.


 


Privado de utilizar a Vila Belmiro em finais de competições importantes, o Santos ampliará a capacidade do alçapão para cerca de 40 mil lugares, em obediência aos parâmetros exigidos pela Conmebol. A estratégia é criar novos andares de arquibancadas, assim como ocorre em La Bomborena, uma vez que não faz parte do plano demolir o estádio. “Arquitetonicamente, o estádio do Boca Juniors foi denominado a ‘obra perfeita’, já que se aproveitaram espaços inexistentes nas reduzidas dimensões do terreno disponível”, anuncia o site oficial do Boca Juniors.


 


Não apenas em busca de perfeição semelhante àquela da qual se vangloriam os argentinos, mas ainda do que há de mais moderno em estádios de futebol, o Santos já conta com o apoio da prefeitura municipal. Resta ao clube buscar outros parceiros, convencer a população do bairro da Vila Belmiro da importância do projeto e iniciar as licitações, que, finalmente, dirão os custos da obra. “Isso tudo deve acontecer o mais rápido possível”, previu o presidente Marcelo Teixeira.


 


Em troca ao aval dos moradores da Vila, a prefeitura promete recuperar a região. “É onde entra a nossa colaboração”, garantiu o prefeito João Paulo Tavares Papa, entusiasmado com os planos. “O Santos é um dos grandes patrimônios da cidade. Quando os santistas viajam para fora do país, a primeira pergunta feita é sobre o time de futebol. A prefeitura já ajudou na reformulação do CT Rei Pelé, do CT Meninos da Vila e, agora, chegou a vez, tão aguardada, da reforma da Vila Belmiro. Merecemos um estádio à altura do nosso sucesso”, acrescentou. Além das melhorias no bairro que o município estuda fazer, Teixeira ambiciona até instalar uma escola pública dentro do novo estádio do Peixe.


 


O que move o presidente, no entanto, são as chances de atrair outros investidores para o clube e, principalmente, os torcedores. “As pessoas questionam se vale a pena ter um estádio para 40 mil pessoas se só 5, 6 mil costumam freqüentá-lo. Mas esquecem que a tendência é ter um retorno maior com um estádio melhor. Cada vez que o Santos reforma alguma coisa, tem a volta das famílias ao estádio”, disse Teixeira, lembrando do sucesso do recém-construído Memorial das Conquistas.


 


“Estávamos nos distanciando da cidade por causa do regulamento que exige um público maior em competição importantes. Agora, poderemos ter novamente o município de Santos como nossa bandeira. É difícil para o mundo entender que o Santos seja de Santos e jogue suas decisões na capital, no Rio ou onde quer que seja”, complementou o cartola.


 


Por enquanto, contudo, o projeto para reforma da Vila Belmiro atende menos que 40 mil torcedores. “Mas ficará entre 42 e 45 mil lugares. Pensamos em demolir a marquise das sociais para subir ainda mais essa arquibancada, cuja capacidade ainda não sabemos”, ressalvou Teixeira. Criação de estacionamentos também não foram colocados no papel pelo Santos. “A Fifa pede que eles não sejam criados dentro dos estádios para evitar confusão, atropelamentos, essas coisas. Por isso, não incluímos na obra ainda”, explicou o presidente, que também não pretende mexer no gramado. “Apesar de o Wanderley sempre reclamar, de maneira construtiva, temos um dos melhores campos do país. As críticas são feitas com certa razão porque o clube investe muito para isso.”


 


Wanderley Luxemburgo, que também esteve na prefeitura municipal nesta segunda-feira, sorriu ao ser lembrado por Marcelo Teixeira. O técnico e sócio do Santos foi o último a exaltar a “La Bombonera” do clube. “Todo mundo que desce a serra para enfrentar o Santos sente um friozinho na barriga, um pouquinho de medo. Mas o mais importante é que temos o privilégio de carregar o nome da cidade. O maior jogador de todos os tempos atuou aqui. Será uma honra morar na Vila Belmiro.”

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