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Futebol

Motivo de orgulho: atletas do time profissional vibram com campanha e reconhecimento

Arquivo Geral

09/02/2014 9h23

Depois de um dia de expediente, David voltava para  a sua casa em Santa Maria. Uma rotina diária que fazia do vendedor de calçados de uma loja no Conic mais um desconhecido nas ruas de seu bairro.  

A prática, no entanto,  deixou de ser algo comum. Como um verdadeiro “popstar”, o  jogador do Santa Maria – que disputa a 1ª divisão local –   garante que passou a ser reconhecido nas últimas semanas.  “Agora sou o cara, lá na minha rua. Todo mundo vem pedir ingresso para os jogos. Quando chego, todos estão apoiando. É  bom demais”, conta.

David, Júnior, Maurício e Alan não são apenas jogadores do Santa Maria, e sim moradores  da cidade,  desde a infância. Lá, eles iniciaram  as primeiras investidas no futebol,  pelos campos de terra nos campeonatos amadores. O caminho até chegar ao futebol profissional, porém, foi longo. 

Dos quatro, apenas Alan já fazia parte do time profissional que conseguiu o acesso à elite no ano passado. Os outros ingressaram na equipe depois de  aprovados em  uma “peneira”  sob o comando do técnico Sérgio Passarinho. 

Apoio nos jogos

Com duas vitórias e uma derrota em três jogos disputados, os garotos têm levado um bom público aos estádios. 

“Minha família, todos os meus amigos e  ‘toda a cidade’ pede ingressos para nós. Quando chega ao meio da semana,  já estão todos perguntando onde vai ser o jogo, procurando por ingressos”, comenta o volante Júnior.

De fato, a torcida  se movimenta para acompanhar os jogos da Águia.  A equipe tem a segunda maior média de público (em partidas como mandante e visitante), com aproximadamente 1.357 espectadores por confronto. Números que empolgam o meia Alan. “Nunca tinha representado a minha cidade até o ano passado.  É muito gratificante passar na rua e ouvir o pessoal dizendo que vai assistir à próxima partida”, disse. 

Corneta de plantão

Nem sempre é bom morar na cidade e representá-la  esportivamente, já que fica mais fácil  ouvir queixas após  resultados negativos.

 “Você  passa na rua e  alguém e diz:  ‘Poxa, Junior, era para você pegar a bola, driblar dois e fazer o gol! no meu tempo eu não perdia’”, brinca Alan. 

Mudança de campo

O Santa Maria faz a sua preparação para o torneio local em dois espaços. O primeiro é um pequeno estádio no Novo Gama. O  restante dos treinamentos é agrupado em um clube localizado no Condomínio Santos Dumont,  na mesma cidade – espaço  que possui estrutura maior, com piscina, campo de futebol  e academia. 

 “O pessoal daqui do condomínio não é muito fã de futebol,  mas está começando a comparecer nos jogos. Esse é um motivo a mais que nos impulsiona a chegar na final e não decepcionar o pessoal que acredita na gente”, afirma Alan. 

Sonho realizado

Antes de disputar partidas no futebol profissional, Júnior, David e Maurício atuavam no campeonato amador da cidade. 

O trio realiza um desejo antigo, o de trocar o barro pela grama dos campos. 

“Era um sonho meu   participar do profissional. Agora estamos aqui e vamos partir para ser campeão”, comenta o otimista Júnior.

 Sonho dividido com David, que sonha em permanecer como jogador profissional após o campeonato. “Agora que o professor deu a oportunidade, quero manter”, deseja. 

Números

 – 4 atletas de Santa Maria atuam no clube

– 1.357 pessoas é a média de públicoda Águia 

– 4 anos tinha  Alan quando chegou à Santa Maria

– 2 vitórias tem o clube no Candangão 2014

Entrosamento vem do “Terrão”

David, Alan e Maurício  apresentam um bom entrosamento no torneio local. Não é para menos.  Os três fazem parte do mesmo time de futebol amador da cidade e garantem:  quando entram no campo de terra batida, não tem para ninguém. 

Quem sofre é o mais novo da turma, Júnior, que atua em uma equipe diferente dos demais. “O time deles sempre foi o time dos feras. O meu era mais fraquinho.  Sempre apanhávamos bastante. Eles chegavam matando”, brinca.

Maurício tratou de se defender das acusações de time violento e também aproveitou para tirar um sarro com a cara do  amigo. “Quando ele diz que a gente caía matando não era de porrada não, era de cinco, seis, sete bolas na rede. Era só goleada”, cutuca  Maurício.

Já que se não pode ir contra, o melhor é se unir. No fim da conversa entre o quarteto e o Jornal de Brasília,  surgiu o convite para que o volante Júnior  agregasse valor ao grande campeão do amador. 

“Agora não dá mais para jogar contra, estamos entrosados e é melhor jogarmos juntos. Já falei para o Juninho vir com a gente, que é melhor para ele”, pede Alan. “Vamos contratá-lo. Arrumar  coisa melhor para ele lá em Santa Maria porquea coisa está  ruim  para ele”, alfineta David.

Dia de jogo

O Santa Maria entra em campo para enfrentar o Capital, às 10h30, no estádio Serejão, em Taguatinga. Os ingressos custam R$ 20 inteira  e R$ 10 meia-entrada a cadeira, e R$ 10 inteira e R$ 5 a meia-entrada nas arquibancadas. 

Curiosidades

Fora do futebol…

Antes de jogar no Santa Maria, Júnior era vendedor de calçados, assim como o volante David. Já o meia Maurício trabalhava em uma banca de produtos naturais na Feira dos Importados.

Alan, que atuava pelo Santa Maria no ano passado, quando o clube conquistou o título da Segundona, atem outra profissão. Após o período de treinamentos, Alan atua como vigilante noturno.

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