A façanha do técnico Vanderlei Luxemburgo de fazer o Flamengo vencer um jogo após oito insucessos vai além do placar de 1 x 0 sobre o Botafogo. O nono a assumir um clube com o Campeonato Brasileiro em andamento, ele fugiu à “regra” dos treinadores que herdam o cargo em meio a uma crise e, naturalmente, não conseguem efeito imediato.
Antes de Luxemburgo conquistar a vitória na estreia, outros nove técnicos haviam passado por momento semelhante. Mas, ao contrário do comandante rubro-negro, seis deles sentiram o gosto da derrota na primeira missão.
Até a 12ª rodada, foram 10 os técnicos que assumiram um time, sendo que seis perderam na estreia, um empatou e só três conquistaram o resultado positivo.
O caso mais emblemático de que nem sempre a troca de comando tem o resultado esperado ocorreu também na última rodada. Se o novo técnico do Flamengo conseguiu mudar a postura e o clima tenso no clube, o mesmo não se pode dizer de Argel Fucks, no Figueirense.
Em sua estreia pelo Alvinegro catarinense, ele viu sua equipe sair derrotada com um acachapante 5 x 0 para o líder Cruzeiro.
Além de Argel, Levir Culpi (Atlético-MG), Guto Ferreira (Figueirense), Ricardo Gareca (Palmeiras), Ney Franco (Flamengo) e Celso Rodrigues (Chapecoense) tiveram trabalho para reformular o time e, consequentemente, deixaram o campo com derrota.
Futebol de resultado
Com 12 treinadores demitidos em 12 rodadas – ou seja, a cada rodada ao menos um técnico é demitido –, a dança das cadeiras promete novos capítulos em breve.
Dos dez primeiros colocados até aqui, oito mantêm seus técnicos desde o início do campeonato – as exceções são o Atlético-PR e o Grêmio, na 9ª e 10ª colocação.
Para se ter uma ideia do alto número de trocas, Marcelo Oliveira e Muricy Ramalho são os únicos remanescentes de 2013.
Tite, Felipão e até Sabella. Grêmio estuda nomes
A derrota no último minuto para o Coritiba na Arena precipitou a queda do técnico Enderson Moreira do comando do Grêmio. A decisão foi tomada em comum acordo, após uma reunião do treinador com os dirigentes do Tricolor, ocorrida minutos após os 3 x 2.
“Lamento muito a derrota. Em conversa com a direção, chegamos ao consenso de que o melhor era encerrar o trabalho. Tentamos fazer o melhor, mas não funcionou da maneira que esperávamos”, disse o técnico, em sua coletiva depois do jogo. “Chegamos em acordo com o Enderson para que o trabalho não saísse mais prejudicado”, disse o diretor de futebol Rui Costa.
Em análise
A direção gremista diz ainda não ter um nome para substituir Enderson, mas Tite e Luiz Felipe Scolari são dois dos mais cotados, e podem receber contatos nos próximos dias. Enquanto o novo treinador não for contratado, o técnico do sub-20 tricolor, André Jardine, comandará interinamente o elenco.
De acordo com o Diário Argentino Ole, o Grêmio poderá anunciar o vice-campeão no mundo com a Argentina, Alejandro Sabella, como o novo treinador da equipe. O acordo, porém, complicaria a renovação do vínculo do treinador com a Associação de Futebol Argentino. Ele tem passagem pelo Tricolor quando ainda era jogador de futebol.
Bahia muda quase tudo
Demitido do Bahia após a nova derrota em casa para o Internacional por 1 x 0, no sábado, Marquinhos Santos afirmou que, se dependesse somente de si, continuaria como treinador da equipe.
“É claro que gostaria de continuar até o encerramento do ano. Sempre confiei na diretoria e na equipe, no grupo. Não tenho dúvidas de que o Bahia irá sair dessa situação. Logo, logo alcançará o pelotão intermediário, buscando ainda o da frente”, comentou o comandante, que afirmou entender os motivos da direção.
Ontem, sob o comando do interino Charles Fabian, apenas os reservas do Bahia realizaram treino com bola. Do lado de fora, quase todos os membros da diretoria, incluindo o presidente Fernando Schmidt, acompanharam o trabalho.
Não foi apenas Marquinhos Santos quem deixou o clube. Após a saída dele, o gerente de futebol Cícero Souza e Ocimar Bolicenho, diretor de futebol, deram adeus ao Tricolor. O clube ainda não se pronunciou sobre um novo técnico.