Mal o Brasil foi oficialmente escolhido para ser sede da Copa do Mundo de 2014, os representantes brasileiros já passaram por uma saia-justa na sede da Fifa, em Zurique, na Suíça. Logo na primeira pergunta da entrevista coletiva após o anúncio, o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, foi questionado por uma jornalista canadense sobre o problema da violência no Brasil.
“O Brasil é um dos países com o maior número de assassinatos. O que será feito quanto a isso?”, perguntou a representante da Associated Press. O mandatário do futebol brasileiro logo fechou o semblante e respondeu de forma ríspida, após questionar o veículo e a nacionalidade da jornalista. “O problema da violência é internacional. É um mal do mundo, não só no Brasil.”
Logo, Teixeira usou como exemplo os Jogos Pan-americanos deste ano, quando nenhum problema de violência mais grave foi registrado. “Temos como exemplo o Pan deste ano, que não teve nenhum problema durante sua realização no Rio de Janeiro. Todas as forças estavam presentes para que não acontecessem agressões”, lembrou o presidente da CBF, se esquecendo que os problemas de violência não foram solucionados na cidade após o evento.
Em seguida, Ricardo Teixeira preferiu atacar outros países para defender o seu próprio. “Nos Estados Unidos, por exemplo, garotos entram nas escolas atirando nos outros, o que não acontece no Brasil”, afirmou. “O problema da violência no Brasil não é maior nem menor que em outros lugares, no contexto mundial. Vemos vários casos de brasileiros sendo assassinados ou passando por atos de violência em outros países.”
Depois que o mandatário do futebol brasileiro terminou sua resposta, foi a vez do próprio presidente da Fifa entrar em cena. Quebrando o protocolo, ele voltou à tribuna para reclamar das perguntas sobre criminalidade, o que também teria acontecido quando ele anunciou a África do Sul como sede do Mundial de 2010. “Como presidente da Fifa e patrono dessa casa, peço aos senhores a senhoras mais respeito ao futebol, aos presentes e à Fifa”, esbravejou o suíço.