O reencontro do Santa Cruz com a torcida após a derrota para o Ceará, na terça-feira, não foi nem um pouco tranqüilo. O elenco coral presenciou protestos violentos na sede social do clube por cerca de 40 torcedores que fizeram sérias ameaças ao elenco caso o rebaixamento para a Série C do campeonato Brasileiro seja consumado – a equipe está em 16º, apenas um ponto acima da faixa de risco.
Ao som de “Se perder vai apanhar” e “Se cair vai morrer”, os jogadores evitaram entrar no gramado – o zagueiro Aldo, único que entrou, foi xingado até voltar aos vestiários. Um dos que mais sofreu com o protesto foi o goleiro Gottardi, que, apesar de estar ausente no revés em Fortaleza, teve o carro danificado.
O presidente Edson Nogueira, chamado de ditador pelos manifestantes, compreendeu a reação da torcida. “Todo protesto é válido. Se eu pudesse, também estaria lá protestando. Apenas discordo de vandalismo, violência e selvageria. Onde há violência, não há inteligência. Nenhum tricolor está satisfeito. Tem que cobrar, mas não chegar no clube, que é sua própria casa, e agredir, depredar, tentando intimidar”, declarou o mandatário.
Segundo Edinho, a melhor maneira que a torcida pode ajudar o time é se associando ao clube para diminuir a crise financeira. “Quero saber se entre eles (participantes do protesto) tem algum sócio. Eles têm que se associar, ajudar o clube pagando sua mensalidade e não depender dos 300 ingressos que nós fornecemos”, criticou.
No site oficial do Santa Cruz há uma chamada para que os torcedores apareçam em grande número para o jogo contra o Avaí, neste sábado, às 15h. Contudo, apesar da expectativa de mais protestos caso ocorra nova derrota, o presidente tricolor descarta aumentar o aparato policial.
“Particularmente, não reforçarei a segurança. Sempre disse que no dia em que não pudesse andar só no clube, deixaria a presidência. Tenho 63 anos, até hoje ando apenas eu e Deus. E aviso: não vou levar tapa”, garante Edson.