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Kátia Flávia
Kátia Flávia

O verdadeiro motivo da demissão de narrador da Globo após 11 anos em meio à Copa

Sergio Arenillas foi desligado da emissora durante o Mundial após comportamento inadequado nas redes sociais

Kátia Flávia

09/07/2026 16h45

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Sergio Arenillas foi demitido da Globo após 11 anos no SporTV.

A demissão de Sergio Arenillas pela Globo, em plena Copa do Mundo de 2026, ganhou um novo capítulo. Segundo a Folha de S.Paulo, o narrador foi desligado após a emissora identificar um comportamento considerado inadequado e reiterado nas redes sociais. Ele estava no SporTV desde 2015 e era ligado principalmente a transmissões de futebol feminino e esportes olímpicos.

Eu já tinha limpado as migalhas do bolo da mesa, aberto a agenda da tarde e colocado o notebook naquele ângulo generoso de reunião online, quando apareceu o bastidor completo da demissão. A Globo não tinha tirado Sergio Arenillas do ar por acaso no meio da Copa. Tinha histórico, tinha advertência, tinha incômodo interno e, claro, tinha rede social no meio. Hoje em dia, até narrador precisa jogar defensivamente no X.

Arenillas foi demitido na terça-feira (7), com a Copa ainda em andamento, o que por si só já chamou atenção nos bastidores da televisão. Afinal, emissora grande costuma evitar mexida brusca em equipe durante cobertura esportiva importante, a não ser que exista algum desconforto maior por trás.
Segundo a Folha, o narrador usava sua conta no X, antigo Twitter, para opinar sobre concorrentes e também elogiar ou criticar colegas da própria Globo. Fontes ouvidas pela coluna afirmaram que esse comportamento causava incômodo entre profissionais do esporte da emissora.

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Narrador foi desligado em meio à cobertura da Copa do Mundo de 2026.

E aí a história ganha aquele tempero de bastidor corporativo que eu adoro: a Globo já teria advertido Arenillas sobre esse tipo de conduta. Mesmo assim, durante a Copa do Mundo, a prática continuou acontecendo. Em uma das publicações citadas pela reportagem, ele criticou o fato de Paulo Andrade não ter reconhecido uma figura famosa durante a transmissão de Estados Unidos 4 x 1 Paraguai, ainda na primeira rodada do torneio.
“É uma Copa de influência, de celebridades. É uma Copa que exige bagagem cultural e esportiva dos envolvidos para identificar os famosos que aparecem nos estádios em toda oportunidade. Muita gente enorme passa batido”, escreveu Arenillas na ocasião, segundo a Folha.

A ordem para dispensá-lo teria partido da chefia de esportes da Globo, que está nos Estados Unidos acompanhando a cobertura do Mundial. A emissora entendeu que a postura não era compatível com o Código de Ética e Conduta do grupo, que proíbe críticas a colegas e produtos da empresa em contas pessoais nas redes sociais.
Procurado pela Folha, Arenillas disse que não gostaria de falar mais sobre sua saída da Globo. “A decisão já estava tomada e só me comunicaram”, afirmou. A frase tem aquele peso de porta fechada em corredor de emissora, quando a reunião já acabou antes mesmo de a pessoa sentar.

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Globo considerou inadequado o comportamento de Arenillas nas redes sociais.

O detalhe venenoso é que Arenillas não era um nome recém-chegado. Ele foi descoberto em 2015, em um concurso de novos locutores promovido pelo SporTV para a cobertura dos Jogos Olímpicos do Rio, em 2016. Depois disso, passou a narrar modalidades olímpicas, futebol feminino e outras transmissões esportivas do grupo.
Ao longo de mais de uma década, ele cobriu Copas do Mundo femininas, Jogos Olímpicos, Jogos de Inverno e ainda estreou na TV aberta, chegando a ser o narrador mais novo a comandar uma transmissão na Globo. Antes do grupo, trabalhou como narrador da Rádio Gazeta e se formou em jornalismo pela Fundação Cásper Líbero.

Eu sempre acho esse tipo de bastidor fascinante porque a televisão tem uma liturgia própria. Para o público, parece só uma troca de narrador. Por dentro, é política de imagem, conduta digital, contrato, reputação e aquela pergunta silenciosa que assombra todo mundo que trabalha em mídia: “isso pode dar problema para a marca?”.

A demissão no meio da Copa deixou o caso ainda mais barulhento. Se tivesse acontecido em qualquer semana morta do calendário esportivo, talvez passasse com menos impacto. Mas durante Mundial, qualquer movimento de bastidor vira lupa, principalmente quando envolve Globo, SporTV e um profissional com 11 anos de casa.
No fim, a saída de Arenillas mostra que a cabine de transmissão já não termina quando o microfone desliga. O comportamento fora do ar também virou parte do jogo, e nas grandes emissoras, rede social deixou de ser recreio faz tempo. Agora é campo minado com Wi-Fi.

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