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Futebol

Invicto Corinthians duela com pressionado Palmeiras

Arquivo Geral

30/06/2007 0h00

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A rivalidade entre Corinthians e Palmeiras será colocada novamente em campo na noite deste sábado, às 18h10, em um clássico recheado de contrastes. Invicto no Nacional, o time de Paulo César Carpegiani terá a chance de voltar ao pelotão de frente em caso de triunfo no Morumbi, enquanto a desfalcada equipe de Caio Júnior tenta se reerguer depois de cinco rodadas sem vitórias.

 

A eliminação precoce dos dois clubes no Paulistão fez os rivais tomarem rumos diferentes na busca pela reabilitação no Campeonato Brasileiro. Os resultados mostram que a reformulação do Timão rendeu mais resultado do que a manutenção da base palmeirense, atrapalhada pelos constantes problemas no elenco.

 

O Alvinegro ocupava a vice-liderança da competição até a semana passada, mas a folga que ganhou na rodada passada o fez cair para o sexto posto, ainda invicto e com um dos melhores aproveitamentos. Já Caio Júnior precisa de um triunfo para salvar seu cargo. Apesar de a direção não confirmar, os frustrantes resultados estão minando a permanência do comandante, que tem quatro titulares fora do duelo.

 

O meia Valdívia serve à seleção chilena, o zagueiro David integra a seleção brasileira sub-20, o meia Michael negocia sua transferência ao futebol europeu e o atacante Edmundo está entregue ao departamento médico. Reservas como William, Francis, Marquinho e Alex Afonso também são ausências, isso sem falar em Marcos, Amaral, Alemão e Osmar.

 

O atacante Max é outro que deve ficar de fora. Isso porque o nome de centroavante apareceu no Boletim Informativo Diário (BID) como jogador do América de Natal, o que deve prolongar o imbróglio entre os dois clubes. Caso ele seja escalado, existe o risco do Palmeiras perder pontos no Brasileirão. Luis, jovem vindo do time B, deve ser o substituto.

 

“Fazendo uma analogia com um avião, estamos com os cintos apertados, mas a turbulência vai passar. Só espero agora que o piloto continue por muito tempo”, brinca o treinador. “Existe um trabalho sério aqui e não são alguns resultados ruins, em função até dos vários desfalques que a gente vem tendo, que esse trabalho será jogado fora. Eu penso assim e a diretoria também”, completa.

 

Por outro lado, apesar de possuir menos problemas para resolver em seu time, Carpegiani não aceita o rótulo de favorito e lembra que o clube não conta também com Willian, seu cérebro no meio-campo, além de Finazzi e Fábio Ferreira, lesionados.

 

“Independente de quem jogar, eu tenho importantes atletas fora da partida também. Mas prefiro valorizar quem vai entrar na equipe. Não vejo favoritismo, será uma partida muito igual, entre dois clubes com rivalidade. Não há lógica quando jogam duas grandes equipes, pois estamos nas mesmas condições. É uma partida que envolve camisa e tradição”, avalia o corintiano.

 

Carpegiani só confirmará a escalações momentos antes de a bola rolar, mas já deixou claro que a vaga no ataque ficará com Clodoaldo, enquanto na zaga o escolhido é o estreante Cadu. No meio-campo, Dinelson terá a missão de voltar a vestir a camisa alvinegra para suprir a ausência de Willian.

 

Outro contraste entre as equipes está no setor defensivo. Enquanto a zaga do Timão foi vazada apenas duas vezes, os defensores palmeirenses levaram 12 bolas nas redes (em um jogo a mais disputado). A torcida palmeirense parece estar ciente dos problemas do clube e, de acordo com as parciais de vendas de ingressos, estarão em minoria no Morumbi.

 

Mas o Corinthians também tem motivos para se preocupar. Apesar da boa fase, o elenco entrará em campo com a responsabilidade de acabar com o incômodo tabu de ainda não ter vencido clássicos nesta temporada. No Paulistão, perdeu para os três outros grandes, e Marcelo Mattos ainda tenta apagar da memória a derrota por 3 a 0 para o Palmeiras. “Esse jogo eu prefiro esquecer…”. No Brasileirão, o Alvinegro ficou apenas no empate com o Santos.

 

Experiente, o capitão Betão tenta minimizar a marca negativa. “Eu penso jogo a jogo, não fico lamentando pelas partidas que não vencemos. O desejo de ganhar é igual, independente do que aconteceu no passado”, esquiva-se.

 

O Palmeiras, por sua vez, só perdeu um dos quatro clássicos que disputou na temporada (contra o São Paulo, pelo Paulistão). Além da vitória sobre o Corinthians, o Verdão empatou com Santos (pelo Paulistão) e São Paulo (Brasileiro). Até por isso, os palmeirenses também não apontam o rival como favorito.

 

“Eles estão bem no campeonato e nós não, mas é um clássico e os detalhes são decisivos. A gente tem que estar atento em campo para levar a melhor nesses detalhes e conseguir a vitória”, diz o goleiro Diego Cavalieri. “Vai ser um jogo muito difícil, porque o Corinthians é uma equipe muito forte, principalmente na defesa. Não toma gols. Mas é um clássico e tudo pode acontecer”, concorda Caio Júnior.

 

O comandante alviverde precisou quebrar a cabeça para montar a equipe. Principalmente no setor ofensivo, uma vez que não poderá contar com seus três armadores titulares (Michael, Valdívia e Edmundo). Desta forma, Caio Júnior deve optar por três zagueiros e três volantes, liberando Wendel e Martinez para auxiliar no ataque.

 

Há ainda a possibilidade de alguns garotos do time B serem aproveitados, casos dos meias Rick e Bruno Farias. Cristiano, que veio do Paraná e ainda não agradou a torcida, também pode ter uma chance. Mas o treinador palmeirense não dá brecha e mantém o suspense. “O Carpegiani também não divulgou o seu time e acho que faz parte tentar descobrir as escalações porque é um jogo importante. Apesar de não ter muito o que esconder vale a pena criar esse mistério”, sorri.

 

O capitão Martinez garante que o ambiente no grupo é muito bom apesar da má fase e elogia o potencial dos garotos do time B. “Com todas essas mudanças, a gente perde um pouco no entrosamento, mas todos que entrarem vão dar o máximo, principalmente por ser um clássico. Quem entrar em campo terá nossa confiança”, diz.

 

Coincidências: Apesar do período distinto dos dois time no Brasileirão, Corinthians e Palmeiras também encontram um assunto em comum: a turbulência nos bastidores. O clima político do Alvinegro está quente nesta semana. Depois de 53 dias em viagem pela Europa, o presidente Alberto Dualib voltou ao Brasil e sofreu uma simbólica derrota no Conselho Deliberativo.

 

Em votação na noite de quinta-feira, as contas referentes ao ano passado apresentadas pelo mandatário foram reprovadas e, agora, a oposição se movimenta para tomar as decisões cabíveis contra o cartola. Os mais radicais cogitam, inclusive, uma possibilidade de impeachment, mas Dualib descarta a chance de renunciar.

 

Preocupado com os problemas nos bastidores, Carpegiani levou o plantel para a cidade de Itu e blindou os atletas das discussões. “É melhor que o jogador fique mais próximo de nós. Imaginem o elenco lá com todo aquele momento político”, lembra.

 

Aliás, Caio Júnior também levou seus atletas para um refúgio no interior do estado, em um hotel de Jarinu, depois que o time deixou o campo sob vaias e protestos da torcida, revoltada pela derrota diante do Atlético-PR no último domingo. “Foi muito bom ter vindo para Jarinu. Apesar do pouco tempo que ficamos aqui, pudemos ter uma conversa muito boa ontem (quinta-feira) à noite, trocamos idéias e pude ouvir os jogadores, o que considero muito importante. Vamos para São Paulo preparados para uma batalha”, garante.

 

No dia da viagem até Jarinu, a delegação alviverde teve de encarar um protesto inusitado de alguns torcedores que decidiram trancar os portões da Academia de Futebol e impedir a saída do ônibus. Os manifestantes diziam que era melhor o time não entrar mais em campo para não fazer a torcida passar vergonha.

 

A atitude também representou o fim da lua de mel entre a torcida e a atual diretoria, que chegou ao poder no início do ano vista como a salvação para todos os problemas herdados da era Mustafá Contursi.

 

No protesto, os torcedores compararam o presidente Affonso della Mônica ao ex-mandatário, ofenderam o vice de futebol Gilberto Cipullo e pediram providências imediatas daqueles que faziam oposição política no clube até o ano passado e pleiteavam o poder do futebol desde a segunda metade da década de 90.

 

FICHA TÉCNICA
CORINTHIANS X PALMEIRAS

Local: Estádio do Morumbi, em São Paulo (SP)
Data: 30 de junho de 2007, sábado
Horário: 18h10 (de Brasília)
Árbitro: Wilson Luiz Seneme (Fifa-SP)
Assistentes: Valter José dos Reis (Fifa-SP) e Emerson Augusto de Carvalho (SP)

CORINTHIANS: Felipe; Cadu, Zelão e Betão; Pedro, Marcelo Mattos, Rosinei, Dinelson e Marcelo Oliveira; Everton Santos e Clodoaldo
Técnico: Paulo César Carpegiani

PALMEIRAS: Diego Cavalieri; Gustavo, Nen e Dininho; Paulo Sérgio, Wendel, Pierre, Martinez, Caio e Valmir; Luis (Max)
Técnico: Caio Júnior

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