Enquanto 16 seleções tiveram de se conformar com o fim do sonho de ser campeão mundial após a fase de grupos, uma
turma formada por 14 entusiastas crê que a trajetória rumo ao título esteja apenas começando. Desde 12 de junho enfurnados em um motorhome personalizado com as cores do Brasil, eles não pretendem economizar combustível nem quilometragem para assistir in loco ao hexa.
Depois de percorrerem 2.888,9 km de São Paulo a Fortaleza e outros 1.981,8 km da capital cearense até Brasília, ontem, eles deram início à terceira fase da “Expedição Rumo ao Hexa”.
Em meio aos 734,7 km que separam a capital do País de Belo Horizonte, onde a seleção encara o Chile, hoje, pelas oitavas de final, eles abriram as portas da “casa de rodas” para o Jornal de Brasília. Os rostos ainda amassados devido ao desgaste da longa viagem eram inversamente proporcionais ao pique.
“Estamos certos de que o Brasil não irá perder e, por isso, fechamos o cronograma até a final”, adiantou o marqueteiro José Ricardo, 26 anos. Desistir, de fato, é palavra fora do dicionário de todos.
Formado por empresário, filmmaker, fotógrafo, administrador, jornalista e outras profissões, o grupo decidiu dividir o pouco espaço no trailer motivado “por ser, talvez, a única chance de participar de uma Copa do Mundo no País”.
Todo o curso tem sido registrado por eles, em material que será transformado num documentário. “Queremos deixar gravado esse momento de futebol e política que todos falam”, explica José.
Toda a captação feita pela turma é editada dentro do motorhome. Um dos quartos virou uma espécie de ilha de edição, que serve para divulgar o trabalho quase em tempo real, nas mídias sociais, por meio do canal “Rumo ao Hexa”.
Ingresso, só na sorte
Em meio a todo o preparo para ter a Copa do Mundo dos sonhos, os 14 viajantes só não se preocuparam em adquirir ingressos para as partidas.
Atentos à produção do motorhome, que ficou pronto apenas dois dias antes da abertura do Mundial, em 12 de junho, no Itaquerão, eles delegaram à sorte a missão de conseguir os ingressos.
“Nós vamos sempre com a expectativa de conseguir. Até agora, pelo menos um de nós conseguiu o ingresso para assistir”, conta a diplomata corporativa Carolina Abu-Izze, 23 anos.
Na estreia da seleção brasileira, Kim Jackson e Marcel Woo foram os sortudos do grupo a conquistar uma vaguinha no Itaquerão. Em Fortaleza, o destino foi mais generoso e fez com que José Ricardo, André Laiza e Alex Abdalla entrassem no Estádio Castelão.
Em Brasília, conseguir um bilhete para o duelo decisivo entre Brasil e Camarões foi mais complicado. Ainda assim, Kim foi contemplado com um ingresso e viu de perto o baile do time canarinho sobre os africanos, por 4 x 1.
Até ontem, em Belo Horizonte, eles ainda não haviam encontrado nenhuma entrada para o jogo contra o Chile.
“Mas nós vamos conseguir. Ainda falta um dia”, torcia José, que garante que todos os ingressos conquistados por eles são doações. (R.W)