Para solucionar a barbárie no último domingo quando a torcida organizada do Gama invadiu o vestiário dos jogadores que protestavam a derrota, frente ao Luziânia, por 1 x 0, dirigentes do clube convocaram a torcida para uma reunião, no próprio CT do Ninho do Periquito, na cidade de mesmo nome.
Com a finalidade de firmar, pelo menos na frente da imprensa, um acordo de paz entre ambas as partes, todos prometeram contribuir para o bom funcionamento do time.
Reunidos no centro do gramado e com a presença dos jogadores, palavras de apoio e pedidos de desculpas foram ditas em alto e bom som. De um lado, vários aplausos; do outro, promessas e a entrega de um banner da torcida para selar o apoio entre todos.
De malas prontas para deixar o time, os jogadores cedidos pela empresa GP Soccer – parceira do Alviverde – decidiram tentar mais uma vez. “Viemos de outros estados e temos família lá. Isso aqui é o nosso trabalho e vamos dar o sangue por ele. Podem esperar que vocês não verão derrotas como a de domingo acontecerem de novo”, prometeu o capitão corajoso ao menos no discurso, Ronaldo.
Com direito a bis
A violência não se limitou apenas nas dependências do estádio Bezerrão. Após a confusão, menbros da torcida marcaram presença na casa que abriga grande parte do time. Durante a madrugada de segunda-feira, eles arremessaram pedras e um deles portava uma arma de fogo.
“No estádio, eu fui para cima mesmo porque não ia apanhar, mas ao ver um atleta no chão, fui socorrê-lo para evitar algo fatal. Não
registrei queixa a pedido de um membro da organizada que mais tarde seria o mandante na confusão na casa dos jogadores”, disse o diretor da GP Soccer, Ademir. O mesmo tinha machucados e hematomas visíveis no corpo, fruto da briga no domingo.
Sem punição
Mesmo com os dois episódios fatídicos na história do Gama, tudo pareceu estar resolvido ontem e nenhuma punição do clube foi dada à torcida. “Sei que o momento é difícil e a carga de 11 anos sem título dói, mas não patrocinamos esse tipo de situação. Queremos paz em campo”, foram as palavras finais do presidente Antônio Alves do Nascimento, o Tonhão.
Para provar a “união”, um membro da organizada do alviverde garantiu que o ato não se repetirá contra o Paracatu/Unaí, domingo. “Garanto que isso não vai mais acontecer”, disse Heliomar Serejo.
Acidente causou grande atraso
O estopim para a decisão de ir embora do clube começou na madrugada de domingo. Por problemas na estrada com o tombamento de uma carreta que impediu o tráfego nas duas faixas, na BR 040, o ônibus com jogadores chegou só de madrugada no hotel, por volta das 3h, em Sobradinho.
Márcio, que já descansava em seu quarto, foi pego de surpresa pelo roupeiro do time invadindo o lugar e cheio dos equipamentos do elenco. “O técnico precisa do seu tempo de descanso para se preparar para um jogo, tanto que o quarto dele sempre é separado dos demais. E o cara, tadinho, entrou desesperado, molhado de chuva e fedendo a mofo. Foi uma situação complicada”, relembrou.
Além disso, Marcio conta que na hora do almoço foi servido um suco para acompanhar a refeição e que o líquido deveria ser pago individualmente.
“Como assim a gente vai pagar pelo suco? Foram motivos como este que me fizeram desistir. Não dava para continuar. E se falarem que me demitiram, é mentira. A atitude partiu de mim”. acrescenta.
Com Márcio fora, os dirigentes do clube têm o vice-campeão candango do ano passado, Gauchinho, como novo técnico da agremiação. “Ligamos e ele aceitou de prontidão”, disse Capitão Elias.
Primeiro demitido solta o verbo
As polêmicas neste Candangão não se limitam apenas ao sumiço das chuteiras e na invasão ao vestiário dos jogadores do Gama. Indignado com as péssimas condições oferecidas pelo Paracatu/Unaí, o ex-técnico, Márcio Pereira levanta a bandeira branca e se despede do clube logo após o jogo inaugural contra o Sobradinho que rendeu a derrota, por 4 x 2.
“Eles tiveram um mês e meio para organizar o time. Eu não tinha nem zagueiro e nem volante no banco para dar rotatividade à equipe. Sugeri a contratação de outros jogadores, mas assim que eles viram a situação precária do lugar, foram embora”, desabafa o ex-comandante mineiro.
Procurado pelo Jornal de Brasília, o Capitão Elias, presidente do clube mineiro, tentou contornar a situação alegando que Márcio não teria se ambientado ao clube, fato este totalmente desmentido pelo próprio técnico.
“O time é bom e os meninos são esforçados. Tanto que fizemos um ótimo primeiro tempo de 2 x 0 com o Sobradinho. O que pesou foi a falta de respeito e profissionalismo comigo. Para se ter ume ideia, nos deram os aparelhos de musculação na última semana”, disparou Pereira. (K.M.O.).