As palavras de Ricardo Teixeira estão certas. Nenhum estádio brasileiro tem condições, atualmente, de receber um jogo de Copa do Mundo. Um estudo realizado pela SINAENCO (Sindicato da Arquitetura e da Engenharia), durante três meses, em 29 estádios em 17 capitais brasileiras e mais a cidade de Santos, apresentado nesta quinta-feira, mostra que o que a Fifa exige para um evento esportivo de grande porte como um Mundial está bem longe de acontecer por aqui.
Entre os problemas mais recorrentes estão os banheiros em estado ruim ou péssimo, os pontos cegos que fazem com que o público não veja parcialmente ou totalmente o gramado, um aspecto agressivo na arquibancada com lanças ou arames nas divisões de torcidas e orientação solar incorreta, que provoca problemas para jogadores, torcedores e transmissão de TV.
O estádio em pior condição é o da Fonte Nova, em Salvador, que não será utilizado na Copa de 2014 – o governo baiano promete a construção da Arena Bahia. Usado atualmente pelo Bahia, em jogos da Série C, o local está completamente abandonado. As arquibancadas estão em ruínas e há total falta de segurança e higiene para os torcedores e até jogadores.
Entre os que abrigarão jogos da Copa daqui sete anos, a situação mais crítica é a do Mineirão, em Belo Horizonte. Cotado até para receber o jogo de abertura do Mundial, o local apresenta inúmeros problemas de segurança, de visualização do gramado para os torcedores e de higiene por causa das condições precárias dos sanitários para jogadores e público em geral.
“Todos os estádios brasileiros terão de ser adaptados para o que a Fifa exige. Mesmo que a Copa não seja jogada lá. O problema é que esses estádios são velhos e não há um planejamento para melhorá-los. Sempre é feito alguma coisa aqui, outra lá e nada fica bom por inteiro”, disse José Roberto Bernasconi, presidente do SINAENCO.
Dos 29 locais visitados por especialistas em engenharia e arquitetura de instalações esportivas, alguns chegam a ter situações absurdas para receber algum jogo de futebol. A maioria deles está nas regiões Nordeste e Centro-Oeste.
No Machadão, em Natal, uma escada é usada como ponte entre a arquibancada inferior e o gramado. Na Ilha do Retiro, no Recife, a administração do Sport teve a idéia de criar camarotes e em um deles um banco de carro é usado como assento para os torcedores.
Em Cuiabá, o estádio Verdão, que pelo projeto da Copa de 2014 será totalmente reformulado caso a cidade seja mesmo uma cidade-sede, apresenta duas situações inusitadas. Logo na saída do vestiário, os jogadores com suas chuteiras de travas se deparam com uma grelha de captação pluvial, que pode provocar lesões antes mesmo do jogo começar.
Mas o pior está na área do fosso, considerado o maior do Brasil por causa da enorme distância entre o gramado e a arquibancada. Para facilitar o trabalho dos gandulas, que precisam repor a bola rapidamente ao jogo, um escorregador foi instalado.
Os melhores: Pelo estudo do sindicato, o local em melhor condição atualmente é o Maracanã, palco da final da Copa em 2014. Mas ainda com problemas para resolver dentro e fora do estádio. Na parte interna, há problemas nos sanitários e visibilidade para os torcedores. Externamente, mais rampas precisam ser construídas para facilitar a saída do público em caso de situação de pânico.
Entre os cinco melhores do País, estão outros três que serão usados no Mundial: Morumbi, Arena da Baixada (Curitiba) e Mangueirão (Belém). O “intruso” nessa lista é o Engenhão, no Rio de Janeiro, construído para os Jogos Pan-Americanos, em julho deste ano. Mas com um projeto voltado para o Pan, o local terá que passar por reformas para se adaptar ao futebol – o Botafogo arrendou o estádio por 20 anos.