Referência no futebol feminino, Erika, atacante do Centro Olímpico, acredita que sua modalidade ainda tem muito o que melhorar. Atual campeã do Brasileirão, ela esteve com sua equipe no lançamento da segunda edição da competição, que aconteceu nesta segunda-feira, em São Paulo. O sucesso com a camisa da Seleção Brasileira lhe rendeu a independência financeira, mas ela diz não saber até quando poderá viver de futebol.
“Hoje, eu, Érika, posso dizer que consigo me sustentar. Mas a gente não sabe até quando. Porque tira, tira e tira e não sabe quando vai repor. Então, temos esse medo sim. Espero me formar logo menos, talvez em jornalismo, educação física. Hoje eu consigo ainda me sustentar, tenho dois japonesinhos, que são meus sobrinhos, e os ajudo. Isso me deixa feliz. Porém, não consigo bater no peito e dizer que estou tranquila quanto a isso. Daqui a um ano pode ser que eu tenha que parar de jogar bola, procurar outro emprego. E olha que eu, infelizmente, sou minoria. Muitas jogam e depois ainda vão trabalhar. Fazemos porque gostamos, no Brasil não dá dinheiro”, lamentou.
Em busca de ajuda para aumentar o calendário do futebol feminino no país, ela revelou que tem contatos frequentes com os líderes do Bom Senso FC. Mesmo assim, afirma que confia na CBF e tem fé que as coisas irão melhorar nos próximos anos. A principal reclamação é quanto aos restritos quatro meses de trabalho, o que prejudica o rendimento no restante do ano. “Uma coisa vai puxando a outra”.
“Bom, normalmente a gente quer acreditar que possa ter alguma coisas, queremos acreditar que alguma coisa vai mudar. Claro que com a CBF é um pouco mais difícil, pela entidade que é, o poder que é com futebol masculino, mas temos um fiozinho ali para conversar com eles, já temos uma base do projeto e quanto tive pronto vamos tentar falar com eles. Assim nos escutarão com mais precisão. Não temos um Bom Senso FC, mas nós estamos pedindo algumas informações para eles também, por saberem de algumas regras, leis que não conhecemos. É mais para pegar aquele bonde que estamos no caminho certo”, afirmou.
Erika garante que as meninas são unidas e já tem planos para apresentarem à entidade. Consciente da realidade do esporte no país, ela não se incomoda em ter que treinar e jogar em campo de gramado sintético. O que vale é poder praticar o futebol.
“Bom, primeiro que aos poucos as coisas estão mudando. Reclamamos muito do gramado sintético porque doí o joelho, enfim. Mas nunca tivemos uma graminha ali certinha, então um gramado sintético é bom demais para nós. Não nos vejo como ratinhas de laboratório não e, se for, melhor para gente. Se os caras não conseguirem, ficaremos tidas como ainda mais fortes. É um desafio. Acho que falta um pouquinho mais desse investimento, dessa estrutura que tenha retorno. Não vai ser de uma hora para outra. Por isso, nós planejamos e fazemos alguns projetos de imediato e futuros. Basta levar isso para as pessoas certas”, finalizou.