A decisão foi anunciada na tarde desta sexta-feira, em coletiva na Arena Condá. O atacante de 37 anos chegou ao Verdão do Oeste em 2012, mas não conseguia manter uma sequência devido às diversas lesões sofridas. Na despedida, os dirigentes e o colega Rafael Lima elogiaram o atleta, que se emocionou.
Gral vestiu as cores da Chapecoense, time que acompanha desde criança. Ao invés de fazer um discurso, ele leu uma carta onde enalteceu as conquistas dos dois acessos, que vivenciou nos dois anos no clube, e agradeceu ao clube.
“Desde que cheguei, em agosto de 2012 e depois, com a vinda do professor Gilmar Dal Pozzo, pude passar alguns dos meus melhores dias de vinte anos de trajetória”, disse. “Fiz 24 gols em 51 jogos, entre oficiais e amistosos. Conquistei meu gol de número 500 aqui, na goleira da Ala Norte. Que alegria. Os dois acessos, história que ninguém apaga. Muita emoção. Ficarei na torcida pela manutenção na primeira divisão, pois tenho convicção que meus amigos deste grupo irão fazer por onde. De coração, muito obrigado Chapecoense.”
O gol de número 500 saiu no duelo contra o Tupi, quando a Chape venceu a equipe mineira por 5 a 0 e garantiu o avanço para as quartas de final da Série C, em 2012, quando conseguiu o acesso à segunda divisão.
Nascido em Caxamba do Sul, Gral se mudou para Chapecó e desde criança acompanhava os jogos do clube ao lado do pai. O jogador começou sua carreira no Internacional, mas se destacou no rival Grêmio e depois no Flamengo. Entre Brasil e Japão, o atacante teve passagem por doze clubes e garantiu que não pretende se aposentar. “Não significa aqui o fim da minha carreira”, afirmou. “Acredito que ainda possa render e quero jogar mais uma temporada”.
Os jogadores chegaram a organizar um movimento para manter o atacante no clube, mas a decisão já estava tomada. O atacante Rafael Lima levou Gral às lágrimas ao chama-lo de irmão. “O vestiário sentiu muito quando surgiu essa notícia, porque ele é muito querido e uma grande liderança do vestiário. Sem dúvida nenhuma, meu maninho, como chamava ele, vai ser uma perda muito grande.”
Sandro Pallaoro, presidente da Chape, lembrou de quando foi contratar o jogador. Na época, Pallaoro disse que o clube não tinha recursos para pagar um salário à altura de Gral, mas ele dispensou o dinheiro, afirmando que tinha o sonho de defender o clube de sua cidade.
“Tem que ressaltar o trabalho dele no nosso clube, a humildade com os demais jogadores, a liderança. A simplicidade, união e é o sucesso da Chapecoense. Muito obrigado por tudo, Rodrigo”, declarou. Pallaoro entregou uma placa de homenagem do clube ao atleta, que mantém o vínculo com o Verdão até assinar com outra equipe.
O vice-presidente de futebol, Maringá, também elogiou o jogador. “Posso dizer que o Rodrigo foi um dos melhores atletas que convivi. Ele foi um exemplo para o grupo nesse período. É um exemplo de superação e um dos responsáveis pela Chapecoense estar na Série A”.