Menu
Futebol

Em palestra, Luxemburgo mostra a estratégia que usa para vencer

Arquivo Geral

28/08/2007 0h00


Algumas das estratégias que o técnico Wanderley Luxemburgo sempre escondeu foram reveladas por ele na palestra “Perfil de um Vencedor”, proferida para a Associação dos Cronistas do Estado de São Paulo (Aceesp) na segunda-feira.

Entre os slides mostrados inicialmente por Luxemburgo, em telão, estavam fotografias de Pelé e Ayrton Senna. “E me coloquei aqui de migué também porque não sou tonto”, gargalhou. “Eu me considero um vencedor”, completou.

O treinador do Santos discursou como se estivesse em uma preleção. Gritou e não economizou palavrões. “Esse é o meu jeito mesmo.” Segundo ele, o que caracteriza um técnico campeão são, resumidamente, sua capacidade de unir um elenco, impor disciplina, fazer seus jogadores trabalharem, auxiliar na gestão de um clube-empresa, tomar decisões e sua ética profissional.

“Quando comecei como auxiliar [de Antônio Lopes], aprendi a comandar. Divergia muito dele, mas fazia o que ele pedia por conta da ética. O dia em que passei a ser o treinador coloquei em prática o que pensava”, comentou Luxemburgo.

Sobre união, ele mencionou o vídeo com uma canção de Chitãozinho e Xororó, que apresentou aos jogadores do Santos antes da decisão do Campeonato Paulista, contra o São Caetano. “Em um grupo, nunca se deve conjugar o verbo na primeira pessoa do singular. O ‘nós’ é o mais importante”, disse.

Luxemburgo passou a trabalhar novamente esse ponto com o grupo do Santos, que sofreu reformulação recentemente. “Chegaram o Pet e o Baiano. Fui colocando os dois para conversar com os outros jogadores, para se conhecerem e identificarem”, contou, alongando-se sobre o sérvio. “O Pet deve colocar o talento dele, sem egoísmo, para a equipe perseverar. Assim fizeram Pelé e Zico”.

O técnico reforçava que também considera fundamental ser disciplinador justamente no momento em que os slides não acompanhavam o ritmo do seu pronunciamento. “Daqui a pouco, vou te demitir também”, apontou para o assessor de imprensa do Santos, com um sorriso no rosto. Luxemburgo citou os atletas que participaram dos Jogos Parapan-americanos para cobrar esforço dos seus comandados.

Após falar sobre o tratamento adequado para com os jogadores, o santista centrou seu discurso nas outras qualidades que vê em si. Uma delas, segundo ele, é poder de decisão. “Se você tem dois banheiros em casa e fica em dúvida, faz nas calças. É preciso saber quando é preciso afastar um jogador como o Marcelinho Carioca ou o Edmundo, mesmo ciente das conseqüências. Hoje, faço substituições até no primeiro tempo”, ressaltou.

Luxemburgo também se orgulha de administrar as equipes que dirige. Ele deu dois exemplos de fracasso quando isso não ocorreu. “Perdi um campeonato porque o planejamento foi uma m…. Chegamos três dias antes para jogar um mata-mata de Libertadores, contra uma equipe que estava melhor [Palmeiras x São Paulo, em 1994]”, irritou-se. “Meu contrato com o Real Madrid foi mal feito. Não coloquei algumas coisas que me deixariam impedir loucuras feitas pelo presidente”, atacou.

Como prova do seu tino administrativo, Luxemburgo contou que fez o Cruzeiro contratar os jogadores que estavam na mira do Santos na época que as duas equipes disputavam ponto a ponto o Campeonato Brasileiro de 2003. “O Márcio Nobre, o Mota, o Alex. Fui atrás para matar o Santos.”

Após revelar seus segredos de sucesso, Wanderley Luxemburgo ouviu um dos presentes se manifestar contra os métodos. “É bom que haja discordância. É uma característica típica dos inteligentes”, aceitou o técnico, na última lição da noite.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado