Depois de vários dias de expectativa o atacante Dodô será julgado nesta terça-feira, a partir das 16h30, no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) sob a acusação de doping. No exame realizado pelo atleta após o clássico de 14 de junho contra o Vasco, a urina do jogador acusou a presença de femproporex, substância proibida pela Comissão Nacional de Controle de Dopagem da CBF. Na partida o artilheiro marcou dois gols e o Alvinegro goleou por 4 x 0. Se for considerado culpado Dodô pode pegar uma pena que varia de 120 a 360 dias de suspensão.
“A nossa expectativa é a de conseguir a absolvição do Dodô, haja vista que o atleta não tem culpa do que aconteceu. O jogador não sabia o que estava ingerindo, pois acreditava ser apenas o medicamento dado pelo clube. O laudo da Universidade de São Paulo deixa claro que não há nenhuma responsabilidade do Dodô e nem do Botafogo pelo que aconteceu. Espero que o Tribunal não siga literalmente a lei que diz que o atleta é responsável pelo que ingere”, afirmou Vantuil Gonçalves, diretor do departamento jurídico do Botafogo.
Vantuil preparou a defesa do atacante em conjunto com Carlos Portinho, advogado contratado por Dodô para acompanhar o caso. No episódio mais parecido com o de Dodô, que envolveu o lateral-esquerdo Athirson em 2000, quando o atleta estava no Flamengo, o jogador foi absolvido, o que aumenta a esperança dos advogados botafoguenses.
“Explicamos na nossa defesa a utilização da cafeína, em cujas cápsulas o laudo da USP aponta a presença de femproporex, e seus efeitos, absolutamente legais. Explicamos, ainda, os efeitos da substãncia através de vários estudos e a conclusão de que sua administração não traria nenhum benefício ao atleta. A defesa aponta também a ausência de nexo de causalidade, ou seja, a ausência de responsabilidade do clube, do médico e do atleta na ingestão da substância proibida. Juntamos todas as provas baseadas no laudo, onde o Botafogo demonstra de todas as formas que o clube, o médico e o atleta não agiram com culpa ou dolo”, disse o advogado.
O departamento jurídico do Botafogo confirmou ainda que vai processar a Pharmacy, farmácia de manipulação que cedia a cafeína ao clube e que, segundo laudo da USP, teria sido a origem da presença de femproporex nas cápsulas. “O Botafogo fez um registro policial relatando o ocorrido, a contaminação da cápsula de cafeína pelo femproporex, baseado no laudo da USP. Agora cabe à polícia investigar e tomar os procedimentos cabíveis. O Botafogo ainda estuda uma ação contra a farmácia na esfera cível.”
Se punido, Dodô seguirá sem poder ajudar o Botafogo no Campeonato Brasileiro. Porém, casos recentes de punição por doping mostram que o Tribunal tem aceito a redução da pena pela metade com a condição da prestação de serviços sociais.