De filha de catadora de lixo a estrela da Copa do Mundo no Brasil. Concorrendo com milhares de crianças do DF, a jovem Sheila Rodrigues, de 15 anos, foi sorteada para carregar uma das bandeiras oficiais no jogo de hoje entre Brasil e Camarões.
Com poucas horas para o início da partida, a adolescente convive com a ansiedade para entrar em campo e ser vista pelo mundo inteiro.
Sua mãe, Cláudia Rodrigues, trabalha há 15 anos perambulando por Brasília atrás de produtos recicláveis, e mal encontra palavras quando o assunto é ter orgulho de Sheila. “Coloquei os meus quatro filhos no sorteio, mas só ela ganhou. Está tão nervosa que mal fala sobre isso”, conta.
A mãe acrescenta que a ida da caçula para o jogo resultou no ciúmes de um dos irmãos mais velhos. “Ele falou que queria estar no lugar dela, mas Sheila é a felizarda da casa e ponto final”, defende.
Embora não jogue futebol e mal acompanhe os campeonatos locais, Sheila é flamenguista porque “pensou no time e pronto”, e afirma sempre ter sonhado em estar em uma Copa do Mundo. “Não consigo nem imaginar como vai ser. Nem chocolate me acalma”, brinca a estudante.
Em nome da beleza
Ontem, pela manhã, a jovem foi ao salão de beleza para não fazer feio na partida. “Vai pintar as unhas e arrumar o cabelo. Vai ter de ficar bonita”, confirma a mãe.
Mas Sheila não é a primeira integrante da família a participar da Copa. Mesmo que de maneira indireta, a própria mãe já perdeu as contas de quantas vezes já entrou no Mané Garrincha desde o dia 12 de junho. Selecionada para estar lá nos bastidores do show, Cláudia atua na área de reciclagem do lugar. “Ih… Conheço cada canto daquele estádio”, confirma.