Conter a euforia de adolescentes prestes a conhecer os seus ídolos não é tarefa fácil. Mas esta situação é completamente diferente para os 40 aspirantes a gandulas, com idade entre 13 e 15 anos, pré-selecionados a atuar nos sete jogos da Copa do Mundo em Brasília. A dois metros dos ícones do futebol, eles têm de assumir a responsabilidade de conter as emoções e afirmam: o profissionalismo irá falar mais alto.
Sob os olhos rigorosos de agentes da Fifa, os jovens passaram por mais um teste de esforço físico e de disciplina. Além disso, uma avaliação escrita foi aplicada para testar os conhecimentos a respeito da história dos gandulas, as suas funções e movimentos em campo. O resultado final será revelado na segunda quinzena de abril.
São 90 vagas, mas o humilde grupo do DF pode se beneficiar com a oportunidade de entrar em campo em mais de um confronto. O candidato que for aprovado e, mesmo assim, se comportar de maneira inadequada nos jogos, poderá ser expulso pelo juiz.
Vale o sonho
“Posso fazer parte da história e por mais que não esteja autorizado a tietar os jogadores, estarei ali, do lado e com o mundo inteiro me vendo”, sonha João Vitor Pereira.
Ele começou a jogar futebol em campos te terra batida, aos cinco anos, e só pisou em um gramado aos 12. “Achei lindo entrar em um tapete verde e bem cuidado, feito só para jogar futebol”, recorda o estudante de 15 anos.
Mulher Pode
Do grupo de estudantes, apenas quatro meninas agarraram a chance de entrar no Mané Garrincha. Elas contam que as dificuldades para chegar até aqui começaram mais próximo do que se imagina: dentro de casa.
“Meu pai não gostava de jeito nenhum que eu jogasse futebol. Dizia que era esporte de menino e que eu me comportaria como um. Com muita insistência, hoje ele sente orgulho, principalmente, com esta vaga de gandula da Copa”, comemora Laisse Rodrigues.