Em meio ao turbilhão de crises e críticas ao Campeonato Candango deste ano, que foi notícia no Brasil inteiro com o famoso Caso das Chuteiras e outras algazarras, o presidente da Federação Brasiliense de Futebol (FBF), Jozafá Dantas, abriu as portas de seu escritório na entidade para uma entrevista exclusiva ao Jornal de Brasília.
Apoiado em clichês como “falem mal, mas falem de mim” e algumas vezes recorrendo ao bom-humor para tratar de assuntos mais espinhosos, como a violência, Jozafá não refutou às perguntas. Abaixo, o mandatário do futebol no DF se defende das críticas ao apoio financeiro dado pela federação aos clubes e os demais problemas que o campeonato apresentou.
Desde o começo do Candango, o campeonato vem sofrendo com imprevistos, como o Caso das Chuteiras e as frequentes mudanças de estádios. Como a Federação encara essas questões?
Os estádios em Brasília são de propriedade do GDF e nós apenas os utilizamos. No ano passado, o governo fez algumas melhorias nos estádios, mas nem todas as melhorias necessárias foram feitas. Em Planaltina, não utilizamos porque o gramado não está em condições. Samambaia tem um belíssimo estádio, mas o gramado também não está em condições e também não foi tão utilizado. O estádio do Cave recentemente foi fechado para passar por reformas para a Copa…
Mesmo com a carência de estádios, o campeonato já teve dois casos de W.O. Em ambos por fatores alheios à falta de palco. Como explicar isso?
O caso do Formosa foi um caso fortuito. De acordo com a investigação da Polícia Civil, o Formosa foi prejudicado pelo sumiço do ônibus com os equipamentos pro jogo. Os jogos remarcados foram um reflexo da participação do Brasiliense e do Brasília na Copa Verde. Além disso, o calendário ficou bem apertado por causa da Copa do Mundo.
Para este ano, o Campeonato Candango teve os direitos de transmissão vendidos para a TV Globo. Qual o ganho real para o futebol brasiliense?
A TV Globo vem fazendo chamadas das partidas, divulgando os gols da rodada. Nós fizemos uma pesquisa-consulta em que 84% dos entrevistados queriam os jogos na televisão. Estamos em um primeiro momento de fixação e de tentativa de melhorar a imagem do futebol, a emissora achou por bem fazer o jogo Gama x Brasiliense, que deu 15 mil pessoas, ou seja, mostrou que o público brasiliense responde quando o jogo é bom. Nos dias 5 e 12, as finais, que serão no Mané Garrincha, também serão televisionadas.
O senhor acha que esses casos bizarros envolvendo o Candango deste ano podem ser prejudiciais à imagem do campeonato?
O velho Ulysses Guimarães, no alto de sua sabedoria, costumava dizer: ‘falem mal, mas falem de mim’. Todo mundo conhece o Candangão, apesar de não ser um fato que deva ser comemorado. Hoje em dia, onde eu chego, me perguntam pelas chuteiras e eu digo que elas foram encontradas, o time entrou em campo e hoje está muito bem.
Que mudanças podem ser realçadas entre o torneio do ano passado e o campeonato de 2014?
O Candangão do ano passado foi uma experiência maravilhosa. Tivemos a última partida no Mané Garrincha, para 22 mil pessoas. Te garanto que se tivéssmos colocado à venda 70 mil ingressos, creio que, pelo menos, 60 mil teriam sido vendidos. Nós ganhamos experiência para o Candangão desse ano. Mas esse ano, devido à Copa do Mundo, o calendário ficou apertado.
O senhor acha que fez inimigos desde que foi eleito presidente da FBF?
No mundo, todo mundo tem inimigos. São inimigos pontuais que não estão trabalhando pelo bem do futebol do Distrito Federal. Essas pessoas deveriam, pelo menos, entender que futebol é feito de jogos e jogos têm que ser disputados com lealdade. Os inimigos são parasitas naturais.
O senhor acredita que os processos que os times colocam na Justiça exigindo direitos têm a ver com a sua eleição à presidência da FBF?
Acho que tem a ver com a minha eleição, a eleição da CBF e a Copa do Mundo. Tudo tem o nível razoável de crítica. Você não pode ultrapassar o limite. Você pode criticar, e isso é o normal. Mas partir para críticas desonestas, desumanas e pessoais não levam ninguém a lugar nenhum. Então o jeito é levar ao judiciário para que o judiciário dê a prestação judicional: diga se ele está certo ou não.
O que pode ser feito para erradicar as brigas nos estádios?
Nós temos um projeto aqui na FBF que se chama Torcedor do Futuro. O caminho é educar o torcedor. Não adianta querer isso ou aquilo se ele não tiver educação. Nós estamos trabalhando com os torcedores para que eles vão para o estádio torcer. Tem gente que vai ao estádio xingar o árbitro. Pesquisas comprovam que o cara que vai ao estádio e extravasa, chega em casa tranquilo, sem brigar com a família. O torcedor tem que entender isso.
Como o senhor vê as críticas de que o dinheiro repassado da FBF aos clubes é pouco?
Os clubes querem que eu dê dinheiro vivo. Dinheiro vivo eu não posso dar. Eles (os clubes) têm que buscar patrocinadores. Nós (a FBF) garantimos a realização das partidas. Custeamos arbitragem, o quadro móvel, compramos bolas. Nós estamos trabalhando para incentivar. Cabe a eles manter os jogadores e colocá-los em campo. Nós temos ajudado, mas acredito que dinheiro vivo seja muito difícil. Talvez para o ano que vem a gente venda o naming rights do campeonato e possa ter dinheiro para os clubes.