O clássico entre Palmeiras e São Paulo marcado para esta quarta-feira, às 21h30, no Palestra Itália, não deverá lembrar em nada o último duelo entre as equipes, válido pela terceira rodada do Brasileirão e disputado no dia 27 de maio, no Morumbi.
Naquela ocasião, os rivais disputaram uma das piores partidas do atual certame nacional e o empate sem gols serviu mais como nota para o futebol mostrado pelas equipes do que como resultado propriamente dito.
Pouco mais de três meses depois, o novo encontro dá mostras de que irá ferver antes mesmo de a bola começar a rolar. A principal causa da polêmica foi a confirmação da partida para o Palestra Itália, casa palmeirense. Pelos lados do Tricolor, a opinião é unânime: o estádio não oferece condições de segurança.
“Espero que, se houver problema, as pessoas responsáveis assumam a responsabilidade. Lá é gostoso jogar, mas o Palestra é de difícil acesso. Torço para que não aconteça nada”, comentou o goleiro e capitão são-paulino, Rogério Ceni, acompanhado do zagueiro Miranda: “Pela segurança do publico, era melhor no Morumbi”, declarou o defensor.
As declarações dos atletas ganharam força nas palavras do presidente do clube, Juvenal Juvêncio: “Jogar no Parque Antártica é o anti-marketing. Os clubes não podem pensar com emoção, e sim com a razão”, disparou o presidente.
Palco de 30 confrontos entre as equipes desde 25 de outubro de 1936, quando o Palestra Itália venceu o São Paulo por 3 x 0, o estádio palmeirense já abrigou duelos até mais decisivos do que o desta quarta. Como, por exemplo, os válidos pelas oitavas-de-final da Libertadores da América de 2005 (1 x 0 São Paulo) e de 2006 (empate por 1 x 1). Baseados nestes fatos, jogadores, técnico e diretoria do Verdão saíram em defesa do Palestra e rebateram o “choro”
são-paulino.
“Vi as declarações do Rogério Ceni como inoportunas. A direção se reuniu inúmeras vezes com os responsáveis pelo Ministério Público e do Batalhão de Choque da Polícia Militar e acertamos todos os detalhes, inclusive atendendo às exigências que nos foram pedidas. Entre elas, o fechamento do portão pela avenida Francisco Matarazzo e a realização da partida a partir das 21h30. O Rogério, ao declarar isso, acaba incitando a violência. Se acontecer alguma coisa, não será ele quem se responsabilizará”, disparou o diretor administrativo do Verdão, José Cyrillo Júnior.
Os jogadores engrossaram o coro puxado pela diretoria: “Não existe esse negócio de que o Morumbi é neutro. O Palestra Itália é a nossa casa e devemos jogar sempre lá, independente de qualquer coisa”, opinou, acompanhado do meio-campista Makelele:
“Cada time tem que jogar no seu estádio. O campo do São Paulo é o Morumbi, e o nosso é o Palestra Itália. O mando de jogo é do Palmeiras e devemos fazer prevalecer isso. Quando o mando for deles, nós jogaremos no Morumbi”, sintetizou.
Polêmica à parte, o jogo também promete ser quente dentro das quatro linhas. Distantes oito pontos na tabela de classificação (o São Paulo tem 44 pontos contra 36 do Palmeiras), os rivais sabem que o clássico terá ares de final, principalmente para o Alviverde, que precisa da vitória para se aproximar da liderança.
“Teremos três jogos decisivos pela frente, a começar pelo São Paulo. Quero ver meu time ligado e fazendo do Palestra Itália um verdadeiro alçapão nesta quarta-feira”, pediu o técnico Caio Júnior, que promoverá o retorno de Pierre ao meio-campo no lugar de Francis e ainda espera uma posição do departamento médico para saber se poderá contar com Dininho ao lado de Gustavo na zaga.
Confirmado na defesa, Gustavo esbanja otimismo para o confronto. “Crescemos em um momento importante do campeonato e estamos confiantes. Será mais uma final para nós e acreditamos na vitória” , discursou o zagueiro.
Confiança também sobra para um dos ícones do melhor sistema defensivo do Brasileirão, o agora selecionável Miranda. Ele aposta no talento do setor ofensivo tricolor: “Fundamental é a organização, a gente sabe que nossa equipe sempre faz gol. Com certeza, se marcarmos bem, vamos ganhar a partida”, apostou o camisa cinco.
A principal novidade do time são-paulino será o retorno de Alex Silva à defesa. As dúvidas de Muricy Ramalho estão entre André Dias e Breno no tripé defensivo e Borges ou Aloísio na linha de frente. Não está descartada também a formação de uma dupla com Borges e Aloísio, ficando Dagoberto como opção no banco de reservas.
FICHA TÉCNICA
PALMEIRAS-SP X SÃO PAULO-SP
Local: Estádio Palestra Itália, em São Paulo (SP)
Data: 29 de agosto de 2007, quarta-feira
Horário: 21h30 (de Brasília)
Árbitro: Djalma José Beltrami Teixeira (Fifa-RJ)
Assistentes: Ednílson Corona (Fifa-SP) e Carlos Augusto Nogueira Júnior (SP)
PALMEIRAS: Diego Cavalieri; Wendel, Gustavo, Dininho (Nen) e Leandro; Pierre, Martinez, Makelele e Valdívia; Luiz Henrique e Edmundo
Técnico: Caio Júnior
SÃO PAULO: Rogério Ceni; Alex Silva, André Dias (Breno) e Miranda; Souza, Hernanes, Richarlyson, Leandro e Jorge Wagner; Dagoberto e Borges (Aloísio)
Técnico: Muricy Ramalho