O goleiro Rogério Ceni teve o discurso mais enfático do seminário promovido pelo Bom Senso F.C., na tarde desta segunda-feira, na capital paulista. Integrante da mesa que debateu o calendário do futebol nacional, o capitão do São Paulo abordou mais do que o cronograma de jogos em seu discurso e cobrou a classe política por melhorias no futebol.
“Não pode no futebol um funcionário ficar sem receber. Com Marin ou Ricardo Teixeira, seja quem quer que seja, é preciso trabalhar pelo futebol brasileiro. A política brasileira tem de ser importante nisso também. Quando as mais promíscuas decisões políticas são tomadas, iludem o povo através do futebol”, afirmou.
O capitão citou a paralisação dos garis no Rio de Janeiro na época do Carnaval e explicou que as reivindicações do Bom Senso também são legítimas. “Não somos os garis do Rio, que têm todo o direito de pedirem aumento justo. Mas não estamos pedindo aqui aumento, Bolsa Família ou Bolsa Atleta, só queremos organização e emprego”, declarou.
Uma das reclamações do Bom Senso se refere ao tempo inativo de grande parte dos clubes brasileiros. O grupo alega que, quando os Estaduais chegam ao fim, cerca de dez mil atletas ficam desempregados. A cobrança de Ceni é por futebol o ano todo e com bilhetes viáveis para o torcedor.
“O ingresso tem de ser barato, e o governo tem de estar comprometido, porque os 16 mil atletas profissionais levam entretenimento às pessoas na frente das TVs. Futebol é o esporte mais popular no mundo e tem que custar barato, porque a receita que o clube arrecada com isso é pequena. Os atletas podem ceder a própria imagem se precisar para chamarem o público de volta”, afirmou.
O capitão são-paulino ainda pediu uma união dos clubes por melhorias no esporte. “O futebol tem muito atravessador. Os clubes são rivais em campo, mas precisam se unir fora. Não entendo por que tudo tem de passar pela CBF. 85% dos jogadores não ganham dois salários mínimos…”
Apesar de o Bom Senso se concentrar atualmente no futebol profissional masculino, o goleiro ainda citou as dificuldades enfrentadas por outras modalidades no País. “Vemos atletas olímpicos fazendo vaquinha para treinar, enquanto o governo traz as Olimpíadas. Até para tirar gente da cadeia já foi arrecadado mais”, encerrou.