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Futebol

Botafogo se irrita com dono de farmácia

Arquivo Geral

16/07/2007 0h00

O dono da Pharmacy, responsável pelos frascos de cafeína dados ao elenco do Botafogo e que, segundo laudo da Universidade de São Paulo (USP), continham femproporex, substância proibida pela Comissão de Controle de Dopagem da CBF, irritou a diretoria do Alvinegro. Em entrevista coletiva, Nilton Soares insinuou que a contaminação aconteceu dentro do clube. O caso veio à tona depois do atacante Dodô acusar no seu exame de urina após a goleada de 4 x 0 sobre o Vasco, no dia 14 de junho, a presença de femproporex.

“Fizemos um lote de oito cápsulas para cada jogador, no dia 24 de abril, que durou até 27 de junho. Neste período, o Dodô fez outros exames antidoping que nada acusaram. Tenho família e preciso trabalhar”, afirmou Nilton Soares, que criticou o fato de o Botafogo ter enviado um frasco aberto para ser examinado pela USP, que não se responsabiliza pela procedência do material.

A diretoria do Botafogo comunicou que vai processar Nilton Soares pelas declarações e a Pharmacy pelos danos causados ao clube, além de ter sugerido a Dodô também entrar na Justiça.

“Eu nunca vi na minha vida um dono de farmácia dizer que ele só tem responsabilidade sobre o medicamento que ele vende se o mesmo estiver na farmácia. Quer dizer que se ele vender veneno numa fórmula e eu tomar fora da farmácia ele não tem nenhuma responsabilidade no fato? Pelo amor de Deus. Vamos buscar nossos direitos na Justiça”, disse Carlos Augusto Montenegro, vice-presidente de futebol do Botafogo.

As declarações de Montenegro foram ainda mais tranqüilas do que as de Manoel Renha, diretor de futebol do Botafogo, que ironizou Nilton Soares.

“Creio que o Nilton Soares deveria se preocupar mais é com os processos que ele vai ter que encarar, pois vamos com tudo para cima dele para que nosso prejuízo seja reparado, se é que isso é possível. O Alex Alves, do Juventude, foi suspenso por caso parecido e o laboratório que cedia o complemento alimentar ao clube gaúcho já está tentando um acordo com o jogador para pagar a ele 500 mil reais. Mas o Alex quer três milhões, afinal de contas, os prejuízos nesse caso são enormes. É nisso que o Nilton Soares deve se preocupar neste momento”, ironizou Renha.

Manoel Renha acredita que os últimos episódios serão determinantes para que o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) inocente o atacante no julgamento do dia 24 de junho. “Não posso falar sobre o aspecto jurídico, mas posso falar de lógica e está mais do que comprovado que o Dodô é inocente. Além disso, fica comprovado que não houve dolo do Botafogo. O clube pediu a farmácia uma fórmula de cafeíona e não podia adivinhar que junto com ela vinha femproporex.”

“Para mim esse aspecto mata qualquer culpa do Botafogo e nossa inocência está atestada no laudo da USP, que dispensa comentários em termos de credibilidade. Mas encaminharemos também a Fiocruz. Acho que outro fato que pesa a nosso favor é que desde que a gestão Bebeto começou milhares de atletas se submeteram a exames antidoping e nada nunca foi acusado. Então não venham me falar que isso é responsabilidade do departamento médico do Botafogo, que conta com pessoas sérias e competentes”, disse Manoel Renha.

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