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Futebol

Boicote a técnico e protesto da torcida: é crise no Juventude

Arquivo Geral

05/07/2007 0h00

O tempo fechou no Juventude.Sem vencer há três rodadas e na zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro com sete pontos, a equipe gaúcha viveu momentos de alta tensão após a derrota para o rival Grêmio por 3 x 1 na última terça-feira, no Olímpico. Aconteceu de tudo um pouco: ameaça de boicote ao treinador, protesto da torcida e até a diretoria dando ultimato no elenco.

A primeira faísca saiu ainda nos vestiários do Olímpico. Questionado sobre o assunto, Flávio Campos não escondeu a irritação com os boatos de um suposto boicote dos jogadores ao seu trabalho. “Boicote é coisa de gente sem-vergonha e no meu grupo não há isso. Acho ridículo pensar em algo do tipo e prefiro nem comentar o assunto”, destacou o treinador, no comando do Ju desde a segunda rodada.

“Se eu imaginasse que isso pudesse estar acontecendo, os responsáveis estariam fora imediatamente”, ressaltou Campos. O presidente do clube, Iguatemy Ferreira Filho, confirmou que o treinador segue no clube. “Seria uma decisão muito simplista falar que a saída de Flávio Campos resolveria os nossos problemas”, resumiu.

“Sou um pai de família, tenho caráter. Não existe isso de corpo mole. Em todo clube que eu estou, trato de vestir a camiseta, porque sei que isso é importante para o torcedor. Quero ficar lembrado positivamente aqui no Juventude”, ressaltou o zagueiro Wescley, garantindo que não há boicote entre os jogadores. “As coisas vão mudar quando as vitórias vierem. E acredito que já será nesse”, definiu o jogador.

Sem corpo mole, a crise abafada então certo? Errado. Na reapresentação dos jogadores, na tarde da última quarta, o clima esquentou de vez. Alguns torcedores aproveitaram os portões abertos do estádio Alfredo Jaconi e foram tirar satisfações com o elenco. As ofensas contra o grupo surtiram reação. O atacante Alex Alves ficou cerca de 15 minutos debatendo com a papada no alambrado. Pouco se comparado ao vivido pelo volante Radamés.

Os alviverdes não gostaram da divulgação de imagens na internet com o jogador conversando com algumas garotas na internet e o chamaram de baladeiro. Para piorar, ofenderam a namorada de Radamés, a modelo Viviane Araújo, e a segurança precisou ser chamada para evitar agressões. “Começaram a falar da minha mulher… Eles (a torcida) têm que cobrar de mim, não da minha família”, desabafou.

A diretoria do Ju foi assistir o treino somente após a retirada dos descontentes e colocaram um ponto final na crise da maneira mais convencional possível. O presidente Iguatemy, o vice de patrimônio, Milton Scola, e o vice de futebol, Carlos Mairtelli, deixaram no ar a idéia de que a vitória contra o Vasco, no sábado, é obrigação.

“Nós temos que reecontrar o caminho das vitórias em um período muito curto. Os problemas se renovam a cada dia. Mas tudo se resolve com as vitórias. Acreditamos na tradição do Juventude de sempre se superar nos momentos mais difíceis”, discursou Maitelli, que criticou a ação da torcida. “Essa não é a melhor solução. Nós só vamos superar esse momento com trabalho e apoio da torcida”, completou.

E para acalmar os ânimos, reforços. O dirigente confirmou as negociações com Celsinho, atacante revelado pela Portuguesa que está no Lokomotiv, da Rússia, e garante que mais reforços chegaram a Caxias do Sul. “Não podemos tapar o sol com a peneira. O Juventude não precisa de jogadores que venham para colaborar e sim, para resolver. Precisamos qualificar o grupo urgentemente”, concluiu.

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