Há exatamente uma semana, a praça Vasconcelos, no Savassi, tradicional bairro boêmio de Belo Horizonte,
ganhou o noticiário esportivo, mas por uma nota policial. Responsáveis por uma bela invasão à capital mineira – cerca de 25 mil chegaram na semana passada –, os argentinos coloriram as ruas da cidade. A festa em azul e branco, porém, terminou em vandalismo.
Aproximadamente 200 mais exaltados exageraram nas provocações aos brasileiros, que revidaram. Não demorou muito e uma chuva de garrafas manchou uma noite bonita de confraternização. Ontem, véspera da partida entre Brasil e Chile, pelas oitavas de final, era possível notar consequências do tumulto passado.
Cientes de que a cidade será alvo de nova invasão, desta vez de chilenos, que devem chegar aos 30 mil, os comerciantes da Savassi tomaram providências. Em vez das tradicionais garrafas de vidro, quem pedia para tomar uma cerveja era informado de que só seria servido em copo plástico. “Depois daquela confusão, mudaram várias coisas. Os policiais cercam a praça a partir de um certo horário, para que não fique muito cheio”, conta a gerente do restaurante Baiana do Acarajé, Ana Lúcia Gomes Melo.
Desde o domingo passado, o policiamento em toda a praça é feito por 398 homens da Polícia Militar, além de seguranças particulares.
Violência ainda assusta
A animação do bairro boêmio de Belo Horizonte é contagiante. Diariamente, a cada minuto que passa, mais torcedores (já que portam camisas dos times) chegam ao local. O ambiente diferente do comum é notório pelas próprias afirmações dos garçons.
O sorriso estampado no rosto só muda um pouco quando o assunto volta a ser a cena de violência flagrada por alguns deles no sábado passado.
“Aquilo foi uma covardia. Os argentinos eram uns oito contra um dos brasileiros. Eles ficavam cantando que Maradona era melhor que o Pelé. Foi aí que a briga começou”, narrou um dos garçons, que não quis se identificar.
Para Ana Lúcia, o motivo da confusão generalizada foi outro. “Eles já estavam ‘para lá de Bagdá’. Eram umas duas da manhã. Os bares já estavam até fechados. Foi horrível”, conta.
Outro ambiente
Mesmo com a preocupação dos comerciantes, até o início da noite de ontem o clima entre brasileiros e chilenos no local parecia bem amistoso. Em menor número, os nossos vizinhos chegavam sem fazer muito barulho.
Os brasileiros também se comportavam bem, até que um grito discreto de “Chi, Chi, Chi, Le, Le, Le” surgiu distante. Neste momento, as vaias tomaram conta do local, dando uma pequena mostra de como estará o Mineirão no início da tarde de hoje.