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Futebol

Belo Horizonte: Brasileiros só querem secar a Argentina

Arquivo Geral

08/07/2014 7h30

Roberto Wagner, enviado especial

roberto.wagner@jornaldebrasilia.com.br

Nelson Rodrigues eternizou a frase “toda unanimidade é burra”. Talvez seja esta a explicação para justificar a opção de alguns brasileiros. Eles não aceitam ser batizados de “turma do contra”, mas são registrados no País, admitem morar aqui por escolha própria, porém nada faz com que vistam a camisa  da seleção brasileira.

Ontem, véspera da partida mais dramática do time de Luiz Felipe Scolari neste Mundial, era fácil perceber o comportamento contraditório da jovem Jiovana de Fátima, 14. Munida de um cartaz com o pedido “Özil, faz um gol para mim amanhã”, ela  deixava clara a sua preferência pelos europeus.  

“Todo mundo fala: ‘você é louca’. Mas eu não estou nem aí. Não gosto dos jogadores do Brasil e continuarei torcendo pela Alemanha. Poderia até ser o Müller, mas o meu preferido nesta Copa é o Özil”, explica a estudante.  

Ela, no entanto, não está sozinha na missão de secar o Brasil. Enquanto a maioria cercava o Estádio Mineirão desde a tarde de ontem, Luiz Henrique Vieira, 18, se destacava com a camisa 10 de Lionel Messi, da Argentina.  “Desde as últimas duas Copas torço por eles. Mesmo os caras não ganhando, é cativante ver a raça que colocam em campo. Eles lutam o tempo inteiro. Isso é legal de ver. O Brasil não tem isso, por isso torço pela Argentina. Tenho certeza que a Argentina vai calar o Maracanã”, provoca o mineiro. 

Sem craque

Fã do Boca Juniors e de Maradona, o metalúrgico Marcos Aguiar,  57, crava: “Estarei aqui nesse mesmo lugar com a camisa do Messi. Quero mostrar que nem todos são obrigados a torcer por uma seleção ruim como essa do Brasil. Há muito tempo a seleção brasileira não tem um jogador como o Romário.”

Policiais flagram ação de cambistas

Assim como tem ocorrido em todas as sedes da Copa do Mundo, o Mineirão foi alvo da ação de cambistas. Um dia antes da partida decisiva diante da Alemanha, dois peruanos foram abordados pela Polícia Militar de Belo Horizonte, a poucos metros do estádio. Com eles, foram encontrados quatro ingressos, sendo dois facilmente identificados como falsificados. 

De acordo com o cadete Negreiros, os dois foram encaminhados à delegacia somente para prestar esclarecimentos. “Nós não temos como provar que eles estavam vendendo esses ingressos. Na realidade, foi uma abordagem de rotina e encontramos dois bilhetes com falsificação grosseira. Os outros dois ingressos estavam no nome deles e, possivelmente, são originais. Provavelmente, eles adquiriram os outros dois da mão de cambista”, explicou a autoridade. 

Os bilhetes capturados pela polícia tinham características bem distintas dos oficiais. Para se ter uma ideia do nível de falsificação, até mesmo o horário da partida estava trocado. Em vez das 17h, a partida estava marcada para as 16h. A textura e outros detalhes também evidenciavam a ilegalidade. 

O cadete Negreiros informou ainda que a ação vai continuar durante o jogo de hoje.

Saiba Mais

A Fifa adota um padrão   especial para organizar  o Mundial  e entre eles está um raio de “segurança” de 1,5km dos estádios. Ontem, o jeitinho brasileiro parece ter dominado. Na véspera do confronto contra a Alemanha, os ambulantes agiam livremente até mesmo na calçada do Estádio Mineirão. Barraquinhas de sanduíches, bancas de venda de camisas, cornetas e demais adereços deixavam o local com mais “cara de jogos no Brasil”.

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