Sem estádio, sem salário e com o mínimo de estrutura para manter um time de futebol profissional. O cenário complicado não desanima o elenco feminino do Gama, que pretende surpreender na disputa do Campeonato Candango, com início previsto para 26 de abril.
O primeiro desafio dentro de campo é contra a Ascoop – o jogo, porém, não tem local e horário definido.
“Espero que a Federação Brasiliense de Futebol não bagunce o nosso campeonato, assim como faz no masculino”, cutuca a titular da lateral-esquerda Jakeline Pereira.
Embora não tenham conquistado nenhum caneco desde a fundação, em 2012, o técnico Célio Lino garante que neste ano elas estão mais aguerridas. O grande prêmio ao campeão local é uma vaga na Copa do Brasil
“Vamos entrar em campo , levar o título que o masculino não consegue há 12 anos e provar que jogamos com garra, ao contrário deles”, alfineta Jakeline.
SEM TEMPO RUIM
Nem mesmo a dificuldade para chegar aos treinamentos tira o bom humor das atletas.
Para chegar a tempo aos treinos, em Santa Maria, elas usufruem de ônibus, caronas das atletas que têm carro e vale até o convite na garupa da bicicleta.
Curiosidades
Candangão – feminino
1 Os clubes participantes: sem a presença do Capital (campeão do ano passado) nesta temporada, o campeonato conta com apenas sete equipes: Gama, Ascoop, São Sebastião, Guarani, Cresspom, Minas Brasília e Sobradinho.
2 A primeira rodada: marcada para 26 de abril, ainda sem horário definido, todos os times duelam entre si e em locais diferentes. Por ser um número ímpar de clubes, o Sobradinho não jogará no dia.
3 Jogos paralelos: antes do primeiro jogo no Candangão, o Gama vai disputar um amistoso contra o Guarani (SP), em 20 de abril. Paralelo ao torneio local, jogará a 6ª Copa Campo Grande, no Mato Grosso do Sul
“Fama” ajuda atletas
Sem receber remuneração alguma da diretoria do clube, as atletas contam com o apoio de clínicas de fisioterapia, de uma academia e até do site Blogama para seguirem no esporte.
A ajuda, porém, não é suficiente para uma dedicação exclusiva ao futebol. Sem alternativas, elas se desdobram entre o estudo e trabalho para marcar presença nos treinos e jogos.
“Você olha e enxerga o brilho nos olhos de todas elas, que jogam por amor e almejam reconhecimento. No feminino tudo é mais difícil, mas isso não diminui o desejo delas”, reconhece o treinador Célio Lino, que já comandou outras equipes, como o Santa Maria, o Ceilândia e o Atlético Ceilandense.
RECONHECIMENTO
Mesmo com os empecilhos, elas conseguem desfrutar dos benefícios de fazer parte do elenco. As atletas já ganharam até descontos nos supermercados da cidade e passagem de graça nos ônibus locais. “O torcedor do Gama é fanático e reconhece um jogador de longe”, conta Jaqueline Bezerra.