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Prazeres do vinho

Vinho a bordo: O que acontece quando ingerimos vinho no avião?

Já reparou que com apenas uma taça de vinho você já sente que a bebida “subiu” mais do que de costume?

Por Dai Teixeira 21/05/2021 12h22
Vinho a bordo: O que acontece quando ingerimos vinho no avião?

Aos passageiros nervosos e também aos enófilos, que amam tomar aquela taça de vinho enquanto estiverem no ar, avisamos que ao ingerir bebidas alcoólicas durante o voo, a consequência é que os efeitos do álcool no corpo humano são potencializados. Não importa a quantidade, a sensação que os outros passageiros, a tripulação e até mesmo você têm é de que passou da conta e está ficando embriagado, mesmo que tenha bebido apenas uma tacinha de vinho. Sabe porque? Isso acontece por conta do baixo nível de oxigênio no seu sangue.

Mesmo voando a mais de 10 km de altitude, a maioria dos aviões comerciais é pressurizada a uma altitude equivalente a cerca de 2.500 metros em relação ao nível do mar. Ainda assim, a pressão atmosférica a bordo dos aviões é bem menor do que na maioria das cidades do mundo. Brasília, por exemplo, está a 1.173 metros de altitude, São Paulo a 760 metros de altitude e Campos do Jordão (SP), a cidade mais alta do Brasil, está a 1.628 metros acima do nível do mar.

Além disso, outro fator que complica é o fato do ar dentro dos aviões ser muito seco e as bebidas alcoólicas terem um efeito diurético. Com isso, o passageiro pode desidratar muito mais rápido do que acontece quando se bebe em solo. Por isso é recomendado ingerir água junto com a bebida alcoólica e evitar consumo de comidas salgadas, evitando a desidratação.

O que acontece com o seu corpo

Quando se ingere alguma bebida alcoólica, o corpo humano leva entre 30 e 60 minutos para atingir o efeito máximo e dissolver a substância no sangue. Portanto, caso haja o consumo de várias doses ao mesmo tempo, o fígado pode não conseguir processar tudo. Com isso, o álcool passa para a corrente sanguínea inalterado, o que resulta no aumento da taxa da substância no sangue. E aí a embriaguez aumenta.

Quando viaja pela corrente sanguínea, o álcool atinge o cérebro e age como um sedativo, o que significa que ele retarda as transmissões e impulsos nas células nervosas que controlam a capacidade de pensar e se mover. Além disso, a substância remove inibições e muda o jeito de ser da pessoa, o que muitas vezes é representado em comportamentos agressivos ou extremamente felizes. Isso talvez explique o porquê das experiências relatadas por viajantes e tripulantes de tumultos com passageiros bêbados não sejam tão raras assim.

Os efeitos do álcool a bordo dos aviões não proíbem que os passageiros bebam durante as viagens, tanto que as próprias companhias aéreas servem álcool a bordo. A questão é beber com moderação e ficar atento à reação do seu corpo.

As companhias aéreas pararam temporariamente de servir cerveja, vinho e coquetéis durante os voos devido à pandemia caudada pelo Covid-19. Felizmente, algumas delas começaram a reabrir as salas VIP’s de aeroportos, sendo assim os apreciadores podem consumir seu vinho antes de embarcar. Outra opção também são as adegas dentro dos aeroportos que inclusive, além de vender vinhos, tem o serviço de sommelier.

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Recentemente estive em São Paulo e, bem próximo ao meu portão de embarque, na volta para Brasília, degustei um excelente vinho tinto que foi servido em taça de cristal e harmonizado com presunto de Parma, queijos e azeite, nem parecia que estava em um aeroporto. Fui atendida pelo sommelier Samuel Amorim e foi realmente uma experiência diferente. Embarquei bem tranquila e ainda consegui dormir durante o voo, algo que é bem complicado para mim, realmente valeu a pena.

Fico muito feliz em observar o crescimento, a evolução e as facilidades que hoje temos no Brasil para difundir a cultura do vinho. É realmente fantástico e creio que a tendência é só melhorar.








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