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MC João celebra ‘Baile de Favela’ e prata de Rebeca Andrade em Tóquio

E foi com muita festa que MC João, comemorou o feito inédito do Brasil na ginástica feminina ao som de sua canção, que animou o ginásio japonês

Foto: Dylan Martinez / Reuters

Tatiana Cavalcante
FolhaPress

Da zona norte de São Paulo para Tóquio, no Japão. Foi essa a trajetória da música “Baile de Favela”, de MC João, 30. A canção foi trilha sonora da medalha de prata conquistada nesta quinta-feira (29) por Rebeca Andrade, 22, no individual geral de ginástica artística nas Olimpíadas.

E foi com muita festa que João Israel Simeão, o MC João, comemorou o feito inédito do Brasil na ginástica feminina ao som de sua canção, que animou o ginásio japonês. “A torcida foi gigante pela Rebeca. Me senti um medalhista também. Foi uma prata com gostinho de ouro. Estou sem palavras, muito feliz”, diz o artista.

O artista se anima contando sobre o desempenho da atleta. “Você viu? No meio da apresentação ela deu uma mudada quando ‘Baile’ começou e foi com sangue nos olhos, com muita confiança e com aquela cara de ‘ninguém vai me parar’. A música tem essa energia surreal e contagiante”, afirma o MC.

“Até a [ginasta norte-americana] Simone Biles aplaudiu e curtiu. Mesmo quem não conhece ou não gosta de funk, gosta de ‘Baile de Favela'”, afirma o MC, que assistiu a prova de solo da ginasta, pela televisão, ao vivo, na companhia do filho, Pedro, de 5 anos.

MC João se declara fã de Rebeca pela história de vida da garota que chegava a andar por duas horas para treinar em um ginásio de Guarulhos (Grande SP). “Ela sofreu lesões sérias, passou por uma luta intensa e mesmo assim não desistiu. Ainda bem que não. Ela é uma guerreira. E ela ainda levou minha música para o mundo ouvir e se divertir também.”

Ambos são originários de regiões bem próximas: ele é de Jova Rural, na periferia da zona norte de São Paulo, bairro no limite com Guarulhos, cidade da Grande São Paulo onde Rebeca nasceu e foi revelada. De acordo com MC João, “Baile de Favela” entrou para o repertório das apresentações de Rebeca em competições em 2018. “Desde então, acompanho a carreira dela e fico na torcida. Queria poder agradecer por ela escolher ‘Baile de Favela'”, diz o artista que não conhece a ginasta pessoalmente.

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A música de 2015 que exalta os primeiros bailes de rua de São Paulo, e que foi o hit do Réveillon daquele mesmo ano, surgiu por acaso, segundo MC João. “Tinha essa melodia na cabeça há muito tempo. Aí fui no estúdio do MC R7 para gravar outra música, mas acabei desenvolvendo ‘Baile de Favela’, do qual ele é produtor. Fui fazendo a letra, uma homenagem às minhas origens e aos meus amigos, com todas as minhas vivências e lembrando dos bailes funks que eu já frequentava. É uma música para se divertir, assim como fez a Rebeca”, afirma o cantor, que atualmente mora em Guarulhos.

O cantor diz que “Baile de Favela” mudou sua vida. “Ela surgiu em um momento de desemprego, quando estava recebendo a última parcela do auxílio-desemprego. Aí falei para minha mãe que aquela era a hora e foi assim que nasceu essa música, com essa melodia chiclete. Mudou minha vida, da minha família, foi uma verdadeira conquista.” “NÃO COMPACTUO COM VERSÕES”

Em 2018, “Baile de Favela” ficou conhecida nacionalmente na versão “O Proibidão do Bolsonaro”, feita pelo apoiador de Jair Bolsonaro MC Reaça (1994-2019), em que defendia a eleição do então candidato à Presidência da República. “Não é verdade que a Rebeca escolheu essa música para homenagear Bolsonaro, pelo contrário, ela já tinha no repertório bem antes das eleições”, afirma MC João.

O artista tenta retirar a versão pró-Bolsonaro do ar. “Não autorizei e não compactuo com essa versão, que tem coisas grotescas e ofensivas. Não me identifico com nada do que ele fala”, afirma MC João sobre a visão na música de MC Reaça.

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