Amore, pegue seu leque porque esse babado é daqueles que fazem a gente suspirar de indignação! Taís Araújo, nossa diva absoluta da teledramaturgia, não deixou barato e abriu o coração sobre o remake de Vale Tudo, escrito por Manuela Dias, que vem dando o que falar. A novela das 21h, que prometia reviver o clássico de 1988, tem recebido críticas ferozes do público: roteiro apressado, mudanças estranhas e, claro, a polêmica em torno da trajetória de Raquel Acioli, personagem agora nas mãos de Taís.
Na versão original, vivida por Glória Pires, Raquel conquistava o carinho da plateia e, com garra, superava humilhações para construir sua independência e riqueza ao criar a empresa Paladar. Um verdadeiro símbolo de vitória! Já no remake, minha querida, a história virou um drama atrás do outro. Depois de um breve sucesso, a mocinha perde tudo e volta para vender sanduíches na praia, pasme!, em uma posição de fragilidade, rivalizando até com Heleninha (Paolla Oliveira) e Celina (Mallu Gali).
Taís não escondeu sua surpresa e seu incômodo com essa guinada. Em entrevista à revista Quem, a atriz contou: “Esse momento da Raquel voltar a vender sanduíche na praia, confesso que recebi com um susto. Porque não era a trama original. Então, para mim, a Raquel ia numa curva ascendente. Quando vi aquilo, falei: ‘Ué, vai voltar para a praia, gente’. Aí eu entendi que também falei: ‘OK, mas ela está escrevendo uma parte da história’. Vamos embora fazer.”
E não parou por aí. Sempre franca, Taís Araújo reforçou que também compartilha da frustração do público.

“Também tinha a esperança disso [de Raquel se tornar poderosa e bem de vida] e gostaria muito de vê-la assim. Como mulher negra, como artista negra, queria ver uma outra narrativa sobre mulheres negras.”
A estrela foi ainda mais enfática: “Quando peguei a Raquel para fazer, falei: ‘Cara, a narrativa dessa mulher é a cara do Brasil. E ela vai ter uma ascensão social a partir do trabalho. Vai ser linda e ela vai ascender e permanecer’. Isso seria uma narrativa muito nova sobre a mulher negra na teledramaturgia. Quando vejo que isso não aconteceu, como artista que quer contar uma nova narrativa de país, confesso que fico triste e frustrada.”
Como se não bastasse, a atriz ainda fez questão de lembrar da importância de representações positivas: “É urgente que a gente se veja nesse lugar. A Raquel tinha todas as condições de representar essa nova narrativa. Quando li que não teria, pensei: ‘Ai, meu Deus, não vai ter’. E aí me cabe lidar com a realidade de interpretar uma personagem que não é escrita por mim.”
O público, claro, não perdoou e vem acusando Manuela Dias de racismo nas redes sociais. “Esse enredo da Raquel escancara duas coisas sobre Manuela Dias: ela é racista e uma PÉSSIMA escritora. E eu nem preciso elaborar. É realmente explícito”, disparou um usuário no X (antigo Twitter).

Sem citar diretamente as acusações, Taís mostrou que está ligada no burburinho: “Estou vendo tudo que as pessoas estão falando, tá, gente? Vendo, escutando, lendo, entendendo. Me alio para caramba com vocês nesse sentimento. Inclusive, às vezes de frustração. De querer outro movimento. Gostaria muito que o conflito dela fosse de outra ordem. Conflitos éticos com Odete, por exemplo. E aí quando não tem, a gente tem que lidar com o que tem. E o que tem é isso.”
No gran finale desse desabafo, nossa rainha fez um apelo emocionante por narrativas que inspirem e projetem novas realidades para a população negra: “Espero realmente que a vida devolva a ela o que ela dá para a vida. Aí teremos uma narrativa contemporânea. Está na hora de ver a população negra nesse lugar. A vida do empreendedor não é fácil, mas conhecemos muitas histórias de sucesso. A ficção também serve para a gente se sentir possível, para sonhar. Ela tem sim um papel de responsabilidade na construção da narrativa de um país e de como esse país enxerga o seu povo. É sobre isso também.”
Resumindo, minha flor: Taís Araújo falou, tá falado! Uma diva que não tem medo de encarar a realidade e exigir mais do que migalhas para suas personagens, e para nós, telespectadores que sonhamos juntos.