Eu estava na fila da Colombo, sábado de sol impecável no Rio, torrada quente na mão e as amigas já brigando por qual mesa pegar, quando o celular tocou com aquele nome que eu adoro ver na tela: contato de dentro do mercado financeiro, direto de São Paulo. Larguei o pão na mesa e escutei a fofoca do dia. Rodrigo Faro, o mesmo que empresta o sorriso para campanha de empréstimo, acabou de ser condenado pela Justiça paulista a indenizar uma professora aposentada, e olha que a treta envolve exatamente aquilo que ele vendia como confiança.
A empresa por trás do imbróglio é a Trill Soluções Financeiras, que eu já vou apelidar aqui de Debutante do Crédito que Não Entregou o Vestido. Faro estampava a propaganda como o cliente número um, aquele que supostamente validava a idoneidade do negócio, e foi atrás dessa vitrine que a idosa fechou contrato para renegociar o financiamento do carro. Só que a promessa ficou bonita só no comercial. Os valores não foram repassados, a professora teve que arcar com a dívida sozinha e o filho dela virou o verdadeiro protagonista dessa novela jurídica, correndo atrás da solução que a empresa não deu.
Na defesa, Faro tentou o argumento clássico de quem estampa produto e não quer assinar embaixo do resultado: disse que era apenas garoto-propaganda, um coadjuvante contratado para sorrir e recitar o texto. A juíza Ana Lucia Schmidt Rizzon, da 3ª Vara Cível do Foro de Itaquera, não comprou esse roteiro. Segundo a magistrada, quando uma celebridade de alcance nacional empresta o rosto para uma marca, ela também empresta a confiança do consumidor médio, e essa confiança tem peso jurídico, não é só efeito estético de comercial.
O resultado saiu do cofre: mais de vinte e três mil reais de indenização, valor confirmado pelo jornal O Dia e replicado por mim com a mesma satisfação de quem acompanha final de novela das nove. Fica o recado para todo mundo que empresta a imagem para operação financeira duvidosa, quem estampa lucro também estampa responsabilidade.
E eu aqui, com meu café esfriando e as amigas já cobrando atenção, só penso em como a Faria Lima adora um vazamento, mas às vezes o vazamento vem mesmo é do Judiciário. Bom apetite, mercado.