Uma repórter conhecida do público da Globo foi desligada da emissora após participar de coberturas históricas no telejornalismo brasileiro. Graciela Andrade, que estava na sede de Belo Horizonte, confirmou a tristeza com a saída ao responder um seguidor nas redes sociais.
Eu já tinha deixado o lobby para trás e estava esperando o elevador subir, com uma sacolinha pequena de farmácia na mão e zero intenção de transformar a manhã em excursão, quando vi a notícia da demissão. Apertei o botão do andar, li o nome da repórter e fiz aquela cara que toda fofoqueira faz quando percebe que a TV segue cortando gente conhecida como quem troca cenário. Minha filha, em dia de Copa a gente espera susto com escalação, não com passaralho em telejornal.

A onda de demissões no jornalismo da Globo acalmou, mas não terminou. Desta vez, a profissional desligada foi Graciela Andrade, rosto frequente em entradas ao vivo e reportagens exibidas nacionalmente. Nas redes sociais, ela respondeu a um seguidor que lamentou sua saída. “Estou bem triste também”, escreveu.
Graciela passou por afiliadas importantes da Globo antes de chegar à sede de Belo Horizonte. Trabalhou na EPTV, em Campinas, na TV Tem, em São José do Rio Preto, e na TV Morena, em Campo Grande. Ao longo da carreira, apareceu em telejornais de rede como “Bom Dia Brasil” e “Jornal Nacional”.
E aqui eu preciso dizer: quem acompanha televisão há anos sabe reconhecer esse tipo de rosto. Não é celebridade de camarote, não é apresentadora de palco, não é personagem de reality. É aquela repórter que aparece no meio do caos, de microfone na mão, ajudando o público a entender tragédia, política, cidade, trânsito, crime e comoção nacional.
Entre as coberturas marcantes citadas estão o acidente com o avião da Latam em Congonhas, a visita do papa Francisco ao Rio de Janeiro e o sequestro de Eloá Pimentel. Ou seja, não estamos falando de currículo discreto. Estamos falando de uma jornalista que esteve em momentos duros e importantes da TV brasileira.

A saída de profissionais experientes costuma gerar debate porque, mesmo quando as emissoras falam em renovação, corte de custos ou reestruturação, o público perde uma camada de familiaridade. Repórter veterana conhece praça, fonte, timing de ao vivo e aquele improviso que não se aprende em manual de redação.
Eu entrei no elevador ainda pensando nisso, porque televisão tem uma crueldade própria: o telespectador cria intimidade com quem vê todo dia e, de repente, a pessoa some da tela sem despedida, sem vinheta, sem textão oficial. Fica só o buraco e um comentário triste na rede social.
A demissão de Graciela se soma a uma série de cortes que atingiram jornalistas experientes nos últimos anos. A Globo, assim como outras empresas de mídia, tem passado por mudanças internas, ajustes de equipe e reposicionamentos de custo. Mas cada nome que sai leva junto um pedaço de memória da cobertura ao vivo.
E, vamos combinar, “estou bem triste também” é uma frase curta, mas entrega um mundo. Não tem barraco, não tem ataque, não tem nota atravessada. Tem só uma profissional reconhecendo publicamente o baque de deixar uma casa onde construiu trajetória.
Eu sigo em Nova York tentando manter o foco no domingo de Brasil x Noruega, mas essas notícias de bastidor de TV sempre me pegam. Porque a fofoca pode até ser sobre demissão, mas por trás dela tem carreira, história, redação, cidade, vida virada de ponta-cabeça e uma câmera que, de uma hora para outra, não chama mais.