Minha gente, eu acabei de desembarcar de Nova York com glitter na mala e trauma na alma. Eu fui pra ver Brasil x Noruega achando que ia ser show de bola, espetáculo patriótico, um lacre verde e amarelo, e voltei com a sensação de que a Seleção fez um IPO emocional e faliu em tempo real. Eu jurei, jurei em plenário celestial, que não ia assistir mais Copa do Mundo. Corte para mim ontem à noite, taça de espumante na mão, assistindo Argentina e Egito e torcendo pro Egito golear a Argentina como se fosse um fundo de investimento exótico humilhando banco tradicional. Eu sou contraditória. Eu sou. Mas eu sou brasileira, amor.
Só que, enquanto eu ainda estava processando essa derrota esportiva, caiu no meu colo uma fofoca política de alto rendimento diretamente da GloboNews. Quem jogou a bomba na roda foi o jornalista Thomas Traumann, analisando esse reality show chamado bolsonarismo. Traumann contou que Nikolas Ferreira está em campanha em Minas Gerais mirando um novo recorde pessoal. O menino já foi o mais votado do país na última eleição, coisa de 1,5 milhão de votos, e agora quer romper a barreira dos dois milhões como se fosse um unicórnio da direita fazendo rodada série D de capital político. Não quer só se reeleger: quer trazer na esteira uma bancada de dez, quinze deputados para servir de base exclusiva, tipo um squad corporativo montado só pra ele. É o family office eleitoral do garoto.

E aí vem o plot que eu mais amo: o flerte partidário. Segundo Traumann, Nikolas está paquerando o partido Novo para ser a casa desse futuro projeto. É aquele crush de networking gourmet: hoje café, amanhã reunião estratégica, depois postagem enigmática e, de repente, ele atravessa a rua com a mala de votos e monta uma nova linha dentro da direita. É como se fosse o executivo estrela da empresa PL, cansado da gestão dos sócios majoritários, começando a conversar com um rival para ver se compensa trocar de conglomerado. Nada oficial ainda, mas o cheiro de migração está no ar mais forte que perfume importado em camarote da Sapucaí.
Traumann ainda cravou outra coisa deliciosa para minha coluna. Ele disse que o caso do Nikolas e o da Michelle Bolsonaro é praticamente a mesma situação: dois personagens importantes do bolsonarismo se sentindo sufocados dentro do PL, sem espaço suficiente para brilhar porque o palco está todo ocupado pelos filhos de Jair Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro e Flávio Bolsonaro, os showrunners do espólio político do pai. É o ato de ter dois representantes fortes querendo protagonismo num set onde já existem dois herdeiros oficiais. Quatro protagonistas, um roteiro, uma herança de poder. A conta não fecha, o orçamento emocional estoura e o elenco começa a se engalfinhar nos bastidores.
Na leitura do Traumann, ou Nikolas e Michelle fazem suas malas, pegam seus milhões de votos e vão para outras casas, seja o Novo, seja qualquer sigla que ofereça suíte presidencial, ou Eduardo e Flávio vão ter que aceitar uma diluição do próprio poder, dividir camarim, ceder pauta, abrir espaço de fala. É briga de sucessão em família bilionária. Quem herda o castelo? Quem fica com o jatinho? Quem leva o seguidor fiel? Quem controla o conselho de administração chamado base conservadora?
E não para por aí. Enquanto tudo isso acontece, o bolsonarismo está se fracionando em público sem qualquer pudor. Não é discussão discreta em sala de reunião. É briga transmitida em tempo real, vazamento de áudio, cutucada em rede social, deputado aliado reclamando de Bolsonaro, caminhoneiro arrependido falando em mau exemplo, influenciador de direita soltando shade no X. É a mesma lógica do mercado quando o cliente VIP começa a criticar o próprio banco em público: você sabe que a relação já não é mais parceria, é separação litigiosa com direito a dossiê emocional.

Eu, como Kátia Flávia Business, olho pra esse cenário e vejo um reality de poder em temporada especial: Nikolas montando sua meta de dois milhões de votos e bancada própria, Michelle Bolsonaro operando sua estrutura feminina conservadora que não aceita ser figurante, Eduardo Bolsonaro e Flávio Bolsonaro tentando manter o controle da holding bolsonarista e todo mundo batendo cabeça na frente das câmeras enquanto diz que está tudo bem.
No fim, eu, que voltei de Nova York traumatizada com Brasil x Noruega, já entendi: o verdadeiro campeonato não está nos gramados. Está nos bastidores da direita. A Copa é só o trailer. O filme inteiro é essa guerra de egos, trocas de siglas, flertes partidários e planos de dois milhões de votos. E eu, você sabe, vou narrar tudo como se fosse desfile de alta-costura política: quem sobe, quem cai, quem troca de vestido, quem perde o figurino e quem aparece pelado no próximo vazamento de bastidor.