Os nomes dos jogadores da Noruega viraram um desafio à parte para os brasileiros antes do duelo contra a Seleção neste domingo (5/7), pelas oitavas da Copa do Mundo. Além de Haaland, a lista tem Østigård, Bjørkan, Sørloth, Rædergård Schjelderup e outras combinações que parecem testar narrador, torcedor e teclado ao mesmo tempo.
Eu voltei para o quarto e encontrei a televisão sem som passando pré-jogo enquanto eu tentava organizar a mesa que já parecia central de apuração, camarim e banca de acessórios ao mesmo tempo. Foi quando apareceu o vídeo de um menino brasileiro explicando como se fala Haaland em norueguês. Minha filha, eu já estava preocupada em sobreviver ao ataque da Noruega, agora descubro que a primeira humilhação pode vir antes da bola rolar: na pronúncia.
O responsável pela aula viral é Luiz Crepaldi, de 10 anos. Brasileiro, ele mora na Noruega com a família há seis anos e fala o idioma fluentemente. Ao lado da mãe, Pâmela Crepaldi, de 31 anos, o menino comparou a pronúncia correta dos nomes noruegueses com as versões abrasileiradas que circulam entre torcedores.

O vídeo passou de meio milhão de visualizações na publicação original e foi compartilhado por outras contas nas redes sociais. Segundo Pâmela, a ideia surgiu de uma dificuldade dela própria.“Eu mesma moro aqui há seis anos e não sei falar os nomes direito. Eu entendo, mas não sei falar. Então, chamei o Luiz para fazer o vídeo para mostrar como é a pronúncia correta”, contou ao g1.
A explicação mais esperada, claro, foi sobre Haaland. O sobrenome do craque da Noruega não deve ser lido como parece em português. Pâmela explicou que, quando aparece “AA” em norueguês, o som se aproxima da vogal “Å”, mais parecido com um “O”. Além disso, o “D” final quase não aparece.
Ou seja: com licença da quinta série brasileira, como brincou a reportagem, o som fica mais próximo de “Rô-lan”.
Eu parei na hora, porque metade do Brasil passou anos falando “Ralande”, “Hálan”, “Haalandão” e outras variações de boteco, enquanto o menino Luiz, com 10 anos e uma calma escandinava, chega para colocar ordem no caos fonético nacional. É muita autoridade para alguém que provavelmente ainda pede sobremesa depois do almoço.
O estranhamento tem explicação. O português é uma língua românica, derivada do latim, enquanto o norueguês vem do nórdico antigo e pertence ao grupo das línguas germânicas. Além disso, o alfabeto norueguês tem três letras extras: Æ, Ø e Å.

Para piorar a vida do narrador brasileiro, a Noruega ainda tem centenas de dialetos e duas formas oficiais de escrita: Bokmål, mais usada no país, e Nynorsk, criada no século 19 com base em dialetos tradicionais. Em resumo: até entre noruegueses a pronúncia pode variar, então imagine no sofá de casa com feijoada, camisa da Seleção e nervoso de mata-mata.
Luiz ainda deu uma dica preciosa para quem quer tentar falar os nomes do jeito certo: “Tenta falar com um ovo na boca”.
Eu achei didático e cruel. Porque é exatamente isso: a gente olha para Østigård e tenta sair falando com segurança, mas o som parece que precisa atravessar três geleiras, uma série viking e uma aula de fonoaudiologia antes de chegar à boca.
No fim, a Noruega já entra em campo vencendo uma disputa: a dos nomes mais difíceis da Copa. O Brasil pode até driblar Haaland, marcar Sørloth e estudar Østigård, mas pronunciar todo mundo corretamente até o apito final é missão para quem treinou mais que lateral em pré-temporada.
Eu sigo aqui em Nova York repetindo “Rô-lan” baixinho, só para não passar vergonha mais tarde. Porque uma coisa é sofrer com gol. Outra é errar o nome do homem antes dele sequer encostar na bola.