Eu estava tomando meu café num canto de Manhattan, curtindo o clima de Copa enquanto esperava a hora de ir pro Brasil x Noruega, quando recebi uma chamada de vídeo da minha amiga Bibiana, que trabalha direto com a organização do Natal Luz em Gramado. Ela apareceu na tela toda animada, quase gritando que a venda de ingressos da próxima edição tinha acabado de abrir. Eu ali, no fuso de Nova York, achei surreal pensar em luzinha de Natal enquanto o calor do Central Park insistia em me lembrar que ainda é julho.
A Bibiana me contou que a Gramadotur fez a coletiva de imprensa lá no Expogramado nesta segunda, e que a novidade da vez são dois espetáculos inéditos entrando no line up. O “Brilho do Natal” promete ser aquele tipo de experiência imersiva com figurino iluminado, feita pra gente sair de lá se sentindo dentro de um comercial de perfume caro. Já o “Natal Luz in Concert” reúne a Orquestra Sinfônica de Gramado em concertos que, segundo ela, vão fazer até quem não é chegado em música clássica se emocionar igual em final de novela das nove.
Nos bastidores, o que rolou mesmo foi articulação. A presidente da Gramadotur, Rosa Helena Volk, deixou claro que o planejamento da próxima edição começa antes mesmo da atual terminar, e isso explica muita coisa sobre como esse evento virou o maior festival de Natal do mundo segundo o Guinness. Com mais de 400 atividades e 2.500 profissionais envolvidos, dá pra entender por que Gramado não brinca em serviço quando o assunto é papai noel turístico.
No fim das contas, o que a gente vê aqui é estratégia pura disfarçada de fofura natalina. Lançar ingresso com desconto em pleno julho, no meio da Copa, é jogada de quem sabe prender atenção de brasileiro em qualquer época do ano. Eu, particularmente, já anotei aqui no bloquinho mental pra não perder a chance de conferir esse “Brilho do Natal” de perto, porque promessa de tecnologia de ponta com figurino iluminado é o tipo de luxo que essa colunista não recusa.