São oito e pouco da manhã e eu já estou atrasadíssima pro Leblon, com as amigas me cobrando no grupo porque a malhação de hoje precisa ser relâmpago. Quarta-feira lotada, viagem chegando, e eu tentando resolver academia, cabelo e vida em três horas. Foi nesse corre contra o relógio que o telefone tocou com a fofoca do dia, e olha que coincidência danada.
Lucas Paquetá saiu do gramado visivelmente abatido depois de sentir a coxa na vitória contra o Japão. Depois dos exames veio o diagnóstico de lesão de grau dois, e o menino, fiel ao estilo dele, publicou uma mensagem cheia de fé nas redes, citando trecho bíblico e fechando com aquele “vamos juntos até o fim, bora Brasil” que já virou estampa de bandeira em torcedor emotivo.

O bastidor, porém, é bem menos poético. A ideia inicial era de um mês de tratamento, prazo que praticamente enterraria qualquer chance dele voltar a jogar nesta Copa do Mundo. A comissão técnica não se conformou e mandou o rapaz pros Estados Unidos, numa tentativa de cortar esse tempo pela metade e deixar o camisa 20 pronto pelo menos pra uma eventual semifinal.

O Flamengo acompanha cada exame de longe, sem meter a colher, e os departamentos médicos do clube e da Seleção Brasileira andam trocando figurinha sobre a recuperação. Se o Brasil cair antes do retorno dele, Paquetá volta pro tratamento no Ninho do Urubu e assiste ao resto da Copa como torcedor de sofá, igual milhões de brasileiros.
A própria Seleção Brasileira trata a volta dele como improvável, mas ninguém quer fechar a porta caso o time chegue na decisão. Eu que estou entrando no jamaile agora, com o cronômetro correndo pra pegar o voo, sei bem o que é apostar numa recuperação impossível contra o relógio. Só que a minha pressa é pra pegar mala, e a dele é pra pegar uma vaga na história.