Erling Haaland entra em campo contra o Brasil neste domingo (5/7), pelas oitavas da Copa do Mundo, como o principal nome da Noruega. Mas, antes mesmo de a bola rolar, um hábito fora dos gramados voltou a chamar atenção: o atacante já contou que consome leite cru, produto que não é recomendado no Brasil e pode trazer riscos à saúde.
Eu já tinha avançado para a próxima etapa da manhã no hotel: espalhei roupa pela poltrona, testei a camisa do Brasil na frente do espelho e comecei a negociar com o tempo nublado de Nova York como quem fecha acordo diplomático. Foi quando apareceu Haaland, o homem que assombra zagueiro e agora também nutricionista, com essa história de leite cru. Minha filha, eu esperava chute forte, pressão alta e gol de cabeça, não o cardápio da fazenda viking.
O norueguês é conhecido pelo físico fora da curva e por uma rotina alimentar pesada. Em vídeos e entrevistas, Haaland já revelou seguir uma dieta que passa das 6 mil calorias diárias, com espaço para itens que muita gente considera extremos. Entre eles, está o leite cru, ou seja, o leite que não passa pelo processo de pasteurização.

No Brasil, a prática é tratada com alerta. Segundo o nutricionista Luís Guilhermo, do Instituto Nutrindo Ideais, o consumo e a venda de leite integral não pasteurizado são proibidos pelo Decreto nº 923/1969. O Ministério da Agricultura também não recomenda o produto por causa do risco microbiológico.
A lista de possíveis problemas não é pequena. O leite cru pode estar associado a doenças como brucelose, listeriose, salmonelose e até tuberculose. Ou seja, enquanto Haaland aparece como máquina de fazer gol, o copo dele vem com uma bula imaginária que eu, sinceramente, leria duas vezes antes de brindar.“A perda nutricional pela pasteurização é pequena, inferior a 10% em algumas vitaminas, o que torna a vantagem do leite cru questionável diante do risco microbiológico”, explicou Guilhermo.
Aqui eu parei de dobrar a segunda opção de casaco e pensei: se a vantagem é pequena e o risco vem com nome de prova de infectologia, talvez seja melhor deixar esse costume lá na Noruega mesmo. Já basta o Brasil ter que lidar com Haaland na área, não precisa importar também o café da manhã dele.
O ortopedista Rodrigo Castelo Branco também afirmou que o leite pasteurizado oferece os mesmos benefícios ao corpo, inclusive em relação ao cálcio. Segundo ele, não há evidência de que o leite integral não pasteurizado seja superior ao pasteurizado para prevenir osteoporose ou aumentar densidade mineral óssea.

Em tradução livre para quem está mais preocupado com a escalação do que com a geladeira: não é o leite cru que transforma alguém em Haaland. O pacote vem com genética, treino, rotina absurda, disciplina e, claro, aquele talento irritante de quem parece ter sido montado em laboratório para estragar domingo de torcedor brasileiro.
A fofoca alimentar cai num dia perfeito. Brasil e Noruega se enfrentam às 17h, no MetLife Stadium, em East Rutherford, e Haaland já chega como personagem central do jogo. No campo, ele é problema para a defesa. Fora dele, virou assunto por uma dieta que mistura performance, curiosidade e um toque de “não tentem isso em casa”.
Eu sigo aqui em Nova York, escolhendo roupa como se isso influenciasse o placar e achando que, se depender de mim, o único leite permitido hoje é o da sorte brasileira: pasteurizado, seguro e longe da pequena área.