Eu ainda estava tentando colocar a rotina nos eixos depois da cobertura de Brasil x Noruega. Entre uma xícara de café e outra, fui abrir as notícias da manhã para ver o que tinha acontecido enquanto eu ainda brigava com o fuso da viagem. Foi aí que me deparei com uma daquelas notícias que fazem qualquer apaixonado por televisão parar por alguns minutos. Benedito Ruy Barbosa nos deixou. E, poucas horas depois, a Globo anunciou uma homenagem que faz todo sentido para quem ajudou a escrever alguns dos capítulos mais importantes da dramaturgia brasileira.
O autor morreu nesta terça-feira (7), aos 95 anos, em São Paulo, em decorrência de complicações provocadas por uma insuficiência renal crônica, doença que tratava há cerca de três anos.

Como forma de homenagear um dos maiores nomes da televisão brasileira, a TV Globo exibe nesta noite, logo após o Central da Copa, um episódio especial de Donos da História. Produzido originalmente pelo Canal Viva, o programa revisita a trajetória de Benedito por meio de entrevistas, imagens de arquivo e depoimentos de pessoas que acompanharam de perto sua carreira.
E convenhamos, poucas pessoas conseguiram retratar o Brasil como ele.
Foi Benedito quem levou o campo para o horário nobre, transformando fazendas, cafezais, rios, sertões e pequenas cidades em protagonistas de histórias que atravessaram gerações. Ao longo de mais de cinco décadas de carreira, escreveu novelas que marcaram a televisão, como Cabocla, Sinhá Moça, Pantanal, Renascer, O Rei do Gado, Terra Nostra, Esperança e Velho Chico.
Sua relação com a televisão começou ainda nos anos 1960, mas foi na Globo que consolidou uma das carreiras mais respeitadas da dramaturgia nacional. Nos últimos anos, viu duas de suas maiores obras ganharem novas versões pelas mãos do neto, Bruno Luperi, responsável pelos remakes de Pantanal e Renascer, mantendo vivo um legado que atravessa gerações.

Além da homenagem na televisão, o Globoplay também preparou uma seleção especial reunindo novelas escritas pelo dramaturgo, permitindo que o público revisite algumas das histórias que ajudaram a construir a memória afetiva de milhões de brasileiros.
A verdade é que autores como Benedito Ruy Barbosa dificilmente se despedem por completo. Eles continuam vivos cada vez que alguém reconhece a abertura de uma novela pelos primeiros acordes da trilha sonora, lembra de um personagem inesquecível ou resolve assistir, mais uma vez, a uma história que parecia conhecer de cor. Hoje, a homenagem é da Globo. Mas, no fundo, ela acaba sendo de todo mundo que cresceu diante da televisão acompanhando um capítulo escrito por ele.