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Kátia Flávia
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Fogo amigo gospel: aliados de Flávio Bolsonaro suspeitam de mão de ministro do STF em ataque de Michelle

Aliados de Flávio Bolsonaro passaram a suspeitar que a ofensiva pública contra o enteado teria sido influenciada por André Mendonça, relator do caso Banco Master no STF

Kátia Flávia

05/07/2026 10h14

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Aliados de Flávio Bolsonaro suspeitam de influência de André Mendonça em ataque de Michelle.

Aliados de Flávio Bolsonaro enxergam uma possível influência do ministro André Mendonça no ataque público feito por Michelle Bolsonaro ao enteado, de acordo com informação publicada por Lauro Jardim, em O Globo, neste domingo (5/7). A suspeita envolve o caso Banco Master, investigação sob relatoria de Mendonça no Supremo Tribunal Federal e que tem potencial para produzir novas operações da Polícia Federal.

Eu já tinha terminado a parte mais dramática da arrumação e estava sentada na poltrona do quarto, no Mandarin Oriental, tentando escolher uma playlist brasileira que não chamasse derrota antes da hora, quando essa fofoca política atravessou o Atlântico e caiu no meu celular. O jogo contra a Noruega ainda está longe, só às 17h, mas Brasília decidiu entrar em campo cedo, com Michelle, Flávio, ministro do STF e aquele tempero de bastidor que faz qualquer rímel tremer.

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Michelle Bolsonaro expôs crise com Flávio após disputa nos bastidores do PL.

Segundo Lauro Jardim, o entorno de Flávio está convencido, seja teoria da conspiração ou não, de que a investida de Michelle contra o senador pode ter sido abastecida por informações vindas de André Mendonça. O ministro é relator do caso Master no STF e, nessa posição, cabe a ele autorizar novas diligências da Polícia Federal no inquérito.
A desconfiança teria um componente de proximidade religiosa e política. Michelle foi uma das principais madrinhas da indicação de Mendonça ao Supremo, no período em que Jair Bolsonaro prometia colocar na Corte um ministro “terrivelmente evangélico”. Mendonça, assim como a ex-primeira-dama, tem forte identificação com o público evangélico.

Minha filha, é a versão gospel do “quem contou isso para você?”. Porque, no bolsonarismo, quando uma briga familiar vira crise nacional, ninguém acredita que alguém abriu a câmera do celular só por emoção. Sempre aparece uma teoria, uma mão invisível, um ministro no fundo do salão e uma planilha espiritual do apocalipse.

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André Mendonça é relator do caso Banco Master no STF.

O pano de fundo é pesado. Flávio Bolsonaro já vinha sendo pressionado por revelações envolvendo Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, e a tentativa de financiar o filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro. Reportagens internacionais, como Associated Press e The Guardian, noticiaram que mensagens de voz atribuídas ao senador indicavam pedido milionário a Vorcaro para bancar a produção.
Flávio negou irregularidades e afirmou que a busca por apoio financeiro para o filme era uma iniciativa privada, sem oferta de benefício público. Ainda assim, o caso virou munição política no momento em que ele tenta se consolidar como herdeiro eleitoral do pai.

O Banco Master, por sua vez, está no centro de um escândalo financeiro de grandes proporções. Daniel Vorcaro foi preso, o banco entrou em liquidação e as investigações passaram a atingir políticos, empresários e figuras influentes de Brasília. André Mendonça assumiu papel central no caso dentro do STF, inclusive em decisões ligadas ao avanço das apurações.

É nesse caldeirão que entra a briga de Michelle e Flávio. A ex-primeira-dama expôs publicamente o enteado após uma crise envolvendo articulações políticas do PL, especialmente no Ceará. O vídeo de Michelle abriu uma guerra dentro da família Bolsonaro, com direito a cobrança de desculpas, aliados tentando apagar incêndio e o eleitorado conservador assistindo tudo como novela de domingo.
O entorno de Flávio, agora, tenta entender se Michelle agiu apenas por irritação política ou se recebeu algum tipo de informação sensível antes de partir para o ataque. A suspeita sobre Mendonça, reforço, é bastidor de aliados do senador, não fato comprovado.

E é aí que a fofoca fica mais venenosa. Porque se for só briga de família, já é um estrago. Mas se o entorno de Flávio acredita que a madrinha política de um ministro do STF pode ter recebido sinal de bastidor sobre uma investigação que assombra o próprio Flávio, aí o enredo sai da sala de estar e entra no gabinete com carpete, processo e ar-condicionado gelado.

Eu aqui em Nova York olhando para o céu nublado penso que Haaland pode até ser ameaça na área, mas o verdadeiro mata-mata de hoje começou cedo em Brasília. De um lado, Michelle tentando preservar força própria entre evangélicos e mulheres conservadoras. Do outro, Flávio tentando manter a candidatura em pé enquanto o caso Master ronda sua campanha como cobrança que não para de tocar no interfone.
No bolsonarismo, ninguém briga sozinho. Sempre tem padrinho, madrinha, pastor, ministro, herdeiro, assessor e um áudio que aparece na pior hora possível. E se a suspeita dos aliados de Flávio estiver mesmo circulando com força, a crise familiar acaba de ganhar um novo personagem de toga.

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